terça-feira, 16 de junho de 2015

UMA MÃE PODE DAR O SEU FILHO?

UMA MÃE DAR O FILHO. POR QUE?
Pr. Érico R. Bussinger
O amor de uma mãe por um filho é fato inconteste. Se o filho é recém-nascido, então, o cordão umbilical parece que ainda continua ligado. A ligação psico-emocional entre ambos é bastante forte. E a dependência mútua é evidente. O que faria uma mãe dar definitivamente o seu filho? A primeira hipótese é a da falta de uma sã consciência. Doente mentalmente, drogada, sob o efeito de álcool ou mesmo muito pressionada, uma mãe até poderia abrir mão do fruto de seu ventre, seja matando-o por um aborto provocado ou doando-o. E depois poderia se arrepender. Mas dar um filho conscientemente dificilmente uma mãe o faria.
A Bíblia nos diz que, em épocas de cerco da cidade, pela fome, as mães seriam capazes até de comer seus filhos. E isso aconteceu (2Re.6:28,29). No “final dos tempos” (será que já o vivemos?) o amor se esfriaria de quase todos e coisas terríveis poderiam acontecer, até as mães se voltarem contra os próprios filhos.
Eu quero, no entanto, me referir a uma história muito conhecida dos cristãos, que é a de Samuel. Primeiramente, sua mãe Ana, devido à esterilidade, passou pela vergonha de ver seu marido “tendo” que arranjar outra mulher, que lhe foi uma concorrente opressora, porque dava filhos ao marido, enquanto a Ana não. Depois, foi provada intensamente pelo fato de Deus não lhe ouvir a oração pedindo um filho. Em grande angústia de oração (você já sentiu isso alguma vez?) ela passou também pela repreensão do sacerdote, como se fosse uma bêbada. E por fim, naquela rotina de zombarias e desprezo, Ana foi “levada” ao desespero de fazer um voto extremo (1Sm.1:11). Se Deus lhe atendesse e conseguisse engravidar, ela “daria” em definitivo seu filho ao Senhor. Essa “consagração irremissível” era prevista por Deus (Lv.27:29). Mas não, talvez, em uma situação como esta.
O surpreendente da situação foi Deus aceitar o voto e atender a Ana. Nunca se suporia que Deus agisse de uma forma que não fosse em sã consciência. Ele sabia o que estava fazendo. Há muita gente que quer legislar em nome de Deus, como dizendo: “Deus nunca faria isso...” ou “Deus não seria capaz de fazer isso...” Esse mesmo Deus revelado nas Escrituras foi capaz de dar ordens para destruir uma cidade inteira, incluindo seus idosos e bebês recém-nascidos (1Sm.15:3). Quanto mais atender a um “voto despropositado” de Ana. Seria mesmo despropositado? Em princípio, a Ana só queria se livrar do opróbrio a que estava submetida (1Sm.2:1), como se estivesse “debaixo de maldição” ou fosse uma “mulher desprezada por Deus”.
A continuar a história, veremos que “Deus sabia o que estava fazendo”. O sumo-sacerdote Eli não criara bem seus filhos sacerdotes e o Senhor os queria matar (1Sm.2:25). Sem sucessores que fossem fiéis no sacerdócio, Deus precisava de um outro. Mas teria que ser “da linhagem de Arão” (Ex.28:1). Nem que fosse adotivo. E foi o que Deus na sua soberania planejou. Samuel seria “adotado” obrigatoriamente pelo sumo-sacerdote Eli (ele não poderia rejeitar algo doado irremissivelmente a Deus) e a adoção seria a única maneira de prover um sacerdote digno para o seu povo, já que (respeitando o livre arbítrio) os demais filhos de Eli não poderiam ser essa solução. Que profundidade de Sabedoria em Deus (Rm.11:33)! Ele manteve Sua fidelidade. Proveu o povo de um sacerdote digno, que foi o Samuel e respeitou o livre arbítrio de todos. Inclusive de Ana. Não forçou “diretamente” ninguém.
E quanto a Ana, se não fossem “as circunstâncias” (dirigidas por Deus) ela jamais “doaria” o que mais desejava e pelo que mais orava a Deus. Mas porque o fez, ela foi ricamente recompensada por Deus com muitos outros filhos e entrou para a História com um exemplo muito forte para todos nós: “Vale a pena colocar Deus acima de todos os valores”, inclusive da família (Mt.6:33).
E quanto a você, não despreze nem amaldiçoe as “circunstâncias adversas” em que se acha, nem que lhe sejam dolorosas. Afinal,
DEUS continua sendo SOBERANO. E sabe o que faz!