quinta-feira, 12 de outubro de 2017

DISCIPULADO É ORDEM DE DEUS

UMA INTRODUÇÃO AO DISCIPULADO CRISTÃO
     Há um texto nas Escrituras que nos deixa maravilhados. É o capítulo 25 de 1º Crônicas, que registra a organização e a atividade específica de um grupo de levitas que se dedicava exclusivamente à música. O versículo 6 resume a beleza daquele quadro, quando afirma que todos os músicos e cantores estavam sob a direção respectiva de seus pais Asafe, Hemã e Jedutum e estes sob as ordens do rei Davi. Que segredo havia naquelas famílias, para conseguir aquela submissão espontânea, pois que da qual se exigia harmonia e dedicação? E não há dúvida de que todos estavam em comunhão íntima com Deus, a ponto de profetizarem com harpas (v.3), terem visões espirituais (v.5), estarem aprovados e serem constituídos alvos de promessas especiais de Deus. O grau de harmonia entre aquele grupo era tão grande, que se consideravam iguais entre si, a ponto de se submeterem todos a um sorteio comum para lhes designar os deveres (v. 8), independentemente de hierarquia, antiguidade ou privilégios especiais.
     A explicação para esse exemplo tão tocante está no v. 8: o tipo de relacionamento que cultivavam – O DISCIPULADO. Mestre e discípulo eram iguais nos deveres, mas respeitosos na submissão (v.6). Estes dois pontos caracterizam princípios para todos os cristãos em sua relação no corpo de Cristo e atividade espiritual.
     O DISCIPULADO é, pois, um tipo de relacionamento que gera uma submissão espiritual desejável. Davi era o chefe daquele grupo que se compunha de 288 músicos. Certamente não por ser rei, mas pelas suas qualidades. A submissão do discípulo ao seu mestre não se dá numa base formal, como se na obra de Deus alguém pudesse ser nomeado mestre por um decreto ou portaria, ou mesmo eleição.  Antes, porém, se baseia na autoridade espiritual do mestre e no reconhecimento dessa autoridade por parte do discípulo.     
     A ligação mestre - discípulo se baseia na diferença de espiritualidade entre um e outro. O mestre ou discipulador é uma pessoa que aprendeu antes, passou por todas as etapas do aprendizado e tem amor pela obra de Deus, a ponto de conseguir fazer discípulos e se dar por eles.  Por isso se estabelece (formal ou informalmente)  um compromisso de aliança entre ambos. O discípulo se submete ao mestre.
     Apesar da autoridade espiritual, o mestre não se sente no direito de "mandar" no discípulo, como que querendo  controlar a vida dele. No culto, na atividade espiritual, o mestre serve junto com o discípulo. São todos iguais. Ele trabalha também. É como o que fizeram todos os príncipes na reconstrução dos muros de Jerusalém com Neemias.
     A vida e o ministério de Jesus sobre a terra foram um exemplo insofismável do discipulado, bem como o método ou a forma de trabalho do apóstolo Paulo. O escritor Robert E. Coleman, em seu livro intitulado em Português “O PLANO MESTRE DE EVANGELISMO”, analisa com extrema felicidade o ministério terreno do Senhor e estabelece os 8 princípios do discipulado cristão, o que deveria merecer a atenção de todo cristão sério, bem como de todo líder evangélico. São eles: SELEÇÃO, ASSOCIAÇÃO, TRANSMISSÃO, DEMONSTRAÇÃO, DELEGAÇÃO, SUPERVISÃO e REPRODUÇÃO.
     Ao partir, o Senhor deixou-nos a ordem clara: “ Ide por todo o mundo e fazei discípulos...” O IDE é inseparável do FAZER DISCÍPULOS. É impossível fazer discípulos sem ir (como que esperando por eles- e há muita gente nas igrejas assim), como é inútil ir pregar sem uma condição mínima para discipular, ou consolidar os resultados alcançados. Seria como que semear apenas à beira do caminho, esperando que Satanás não roube a semente lançada e ela germine sozinha (assim só mato). Ou como continuar pescando em alto mar,  com o barco a pique, sem condições de trazer os peixes.
     O fazer discípulos é, pois, em primeiro lugar, a ordem máxima do cristianismo. É a missão principal do cristão, à qual todo cristão deve se dedicar, para não ser uma pessoa estéril.
     Ocorre, porém, em nossos dias, uma confusão perigosa entre o IDE  e o VINDE. Parece que a tendência geral entre os cristãos mais sinceros é de enviar obreiros para pregar aos incrédulos, para depois trazê-los (para a sua Igreja). A atitude atual parece ser, pois: “ide, e depois vinde”; como se não se cresse no poder do Senhor, para dizer: “ide, ficai, crescei, multiplicai-vos.”
     Novamente em Israel encontramos esclarecimentos adicionais sobre este assunto. Foi o próprio Senhor quem ordenou aos filhos de Israel que viessem todos ao templo três vezes por ano (Êxodo 34.23). Quando no deserto os israelitas se acampavam, cada um deveria fazê-lo, não no lugar que achasse melhor, mas cada um sob o seu respectivo estandarte, e todos ao redor da tenda da congregação. Cada tribo (cada grupo) com seu príncipe, segundo sua família, a casa de seu pai (Nm 2.2). Isso era necessário para que houvesse ordem entre todo aquele grande povo. O discipulado tem uma de suas finalidades no arregimentar um grande número de pessoas, guardando uma necessária unidade de ação. Este ideal é praticamente impossível  de ser alcançado com uma liderança fraca ou um governo frouxo e destituído de discipulado.
     Os príncipes (os homens principais) de cada tribo desempenhavam um papel muito importante no governo civil em Israel, mas não no culto a Deus. Cada príncipe era o filho mais velho do príncipe anterior e, sendo assim, em questão de ordem, todos da tribo lhe deviam obediência. Isto é a área de governo da igreja, visando ordem no povo (para que haja progresso).  Mas  no culto todos eram iguais. E os sacerdotes, que ofereciam os sacrifícios, eram servos de todos.  Deus atenderia a todos e a cada um que tivesse o coração sincero e O buscasse em espírito e em verdade, como adoradores verdadeiros.
     Em Números 10 se estabelece a instituição das trombetas, que deveriam ser tocadas pelos sacerdotes. Elas eram o meio de comunicação rápida entre os líderes e o seu povo, fator de arregimentação. Os toques das trombetas se dirigiam ora só aos príncipes (v. 4), ora a toda a congregação (v.3). Tocavam na guerra (v.9) e nas festas (v.10). Ao tocarem, todos os discípulos deveriam dirigir-se aos respectivos “mestres” ou chefes. E assim todo o povo atenderia a uma só ordem.  Povo de convocação. Que maravilha!  Ficamos admirados.
     Nas passagens acima percebemos claramente duas tendências: a centralização e a descentralização.
            A organização da Igreja inclui esses dois movimentos distintos, reconhecidos em suas respectivas áreas. O governo eficiente e participativo exige a descentralização. E para tanto, nada melhor do que o discipulado. Mas o culto a Deus e a unidade de ação dependem fundamentalmente da centralização de decisões e de orientação específica. Da mesma maneira, nada melhor do que o discipulado, que é a única forma possível de garantir a obediência às ordens divinas, havendo a necessária descentralização, para o governo eficiente.
     Podemos, portanto, afirmar que a vontade de Deus na Igreja é a centralização para o culto e a descentralização no governo e na ação.

O QUE É DISCIPULADO

     Para Moisés, o conselho do sogro, de escolher anciãos que com ele dividissem a responsabilidade sobre o povo (Êxodo 18. 21-26), teve o respaldo divino (Números 11.16), de forma que entendemos ser a delegação de responsabilidades bem vista aos olhos de Deus. O próprio governo do Rei Jesus sobre a terra no milênio adotará esse tipo de organização, quando uns receberão autoridade sobre 5 cidades, outros sobre 10 e assim por diante (Lc 19. 17-19). Quanto a Israel, a organização do povo era bem clara (Dt 1. 13-15). Havia chefes de 1000, de 100, de 50, e de 10. Os príncipes de cada tribo eram os chefes de seus milhares. Não há dúvida de que o chefe de 50 tinha autoridade sobre 5 chefes de 10, em geral de sua família. Dessa forma as ordens de Deus aos líderes eram facilmente cumpridas por todos. Essa organização era bem tipicamente militar. Presumia a hierarquia e a disciplina. Qualquer rebelião contra os chefes de família era ensejo para aplicação da lei marcial (a morte). Assim, os chefes eram obedecidos rigorosamente. E nada menos que isso poderia ser tolerado se, se quisesse manter firme a unidade de comando em todo o Israel. O próprio Deus aprovava essa organização militar.  Ele se auto-intitulava muitas vezes de “Senhor dos Exércitos”.
     O discipulado, como opção de organização se opõe à democracia, na qual todos têm, perante a lei, igual direito de opinar sobre as decisões gerais. No discipulado as ordens vêm de cima. Na democracia as determinações provêm da maioria. Quem quiser, no sistema democrático, ter autoridade, deve fazer suas idéias conhecidas e influenciar o povo a apoiá-las. E com base nesse apoio recebido tomar as deliberações cabíveis. Os líderes em Israel Coré , Datã e Abirã não se conformaram com o sistema de governo, nem com a liderança de Moisés e quiseram mudá-los via método democrático (Nm 16). Organizaram a "Revolta Democrática" contra Moisés e Arão (mais tarde foram imitados por Absalão). Arregimentaram o povo, que com eles concordava e partiram para a ação. O resultado que colheram foi o juízo fatal de Deus.
     No discipulado parte-se do princípio de que as ordens vêm de Deus, através dos presbíteros (líderes), que são constituídos em autoridade máxima na localidade. Cada um deles repassa a orientação aos discípulos sob sua influência. E assim por diante, até que todo o povo tome conhecimento e obedeça às ordens recebidas. Não há lugar para discutir a validade das ordens. É possível discutir-se a forma de sua melhor aplicação, mas nunca a conveniência de seu cumprimento. Ordens se cumpre. À semelhança de Coré, Datã e Abirã, seria isso uma afronta a Deus e aos seus ungidos.
     A diferença básica entre o regime militar ou a organização israelita, e o discipulado cristão é que, naqueles sistemas os chefes são designados, nomeados ou estabelecidos, enquanto no discipulado o discípulo se submete espontaneamente ao seu mestre, pelo reconhecimento nele da autoridade divina. E o mestre se faz tal pelas suas qualidades espirituais, bem como pelo fruto da sua vida,  no que é reconhecido pelo discípulo. E assim, no discipulado não há tensões, ou motivos para rebelião e insatisfação. Qualquer incompreensão que haja é explicada por quem tem autoridade e assim facilmente compreendida. Em caso de disciplina ela é aplicada com amor, podendo alcançar resultados positivos.
     O discipulado permite ainda o melhor conhecimento das necessidades dos santos, bem como uma mais equilibrada divisão do trabalho na comunidade. O resultado total é o maior proveito por parte de todos, bem como uma maior potência evangelística e missionária na Igreja.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

REFLETINDO SOBRE REUNIÃO E COMUNHÃO DE CRENTES.

DEUS  QUER  REUNIÃO  OU  UNIÃO ?
                           Pr.  Érico R. Bussinger
      Não é preciso muita inteligência nem muito conhecimento do meio, para qualquer pessoa descobrir que, para os crentes, o ponto alto de sua religião é a REUNIÃO.  Mais que o conhecimento bíblico, mais que a doutrina da igreja ou da denominação (que a maioria dos crentes não domina), mais que patrimônio e bens materiais, mais que a influência na sociedade ou a reputação , os crentes prezam acima de tudo pela REUNIÃO. As igrejas fazem vários tipos de reuniões, porém as mais importantes são as reuniões gerais. Não há líder evangélico que não se deslumbre ante uma grande “concentração” (de pessoas).
     Mais denominadas de CULTOS, as reuniões dos evangélicos são a sua parte mais importante, bem como se tornam também a sua parte mais frágil e vulnerável. Pelo desejo de reunirem “todos os crentes”, as reuniões evangélicas acabam se tornando em investimentos de pouquíssimo retorno. Pela necessidade de se juntar todo tido de pessoas num só lugar, numa massa religiosa muito heterogênea, as reuniões de culto acabam tendo pouco proveito 
(que se dissipa em poucos dias), a não ser alguma possível influência emocional.  As reuniões dos crentes acabam se tornando opcionais para muitos e até dispensáveis. Não são poucos os crentes que não têm mais a prática de ir aos cultos. Eles as acham dispensáveis.  Isto é, para ser considerado hoje um crente razoável, eles acham que não é necessário freqüentar todas as reuniões da igreja. Os próprios líderes sabem disso. E muitos se conformam com isso.
     As reuniões dos crentes acabam sendo muito vulneráveis. As perturbações externas atrapalham muito o proveito nas reuniões. Também qualquer choro de criança ou andança pelo salão acaba distraindo a atenção dos crentes. Pessoas que chegam atrasadas ou que saem antes do término da reunião, também distraem a atenção dos assistentes. E o proveito é muito pequeno. 
     Em conseqüência desse modelo, a briga ou disputa pela liderança da igreja (o que infelizmente sempre há) acaba se concentrando na disputa pelo microfone, ou seja, pela direção das reuniões. Os evangélicos têm muitas histórias de disputas nas igrejas que foram resolvidas “na marra” (na violência), ao se tomar o microfone e dominar a reunião. Quem controla o microfone manda na igreja. E em nossos dias, podendo até generalizar, os ladrões e criminosos estão verificando também que é muito fácil “roubar” os crentes nos cultos. Associados com outros fatores, como a insegurança no deslocamento à noite, os crentes vão esvaziando as reuniões de todas as igrejas evangélicas. Esta é a nossa realidade. E as igrejas vão se enfraquecendo.

     A estratégia de super-valorizar as reuniões e concentrar tudo no templo acaba também se tornando o ponto mais fraco das igrejas. 
     E Deus, o que pensa disso?
     Se formos verificar a base bíblica, veremos que Deus não nos vê através das nossas reuniões, embora as reuniões de culto não deixem de ser importantes (1Co.14:26). No Antigo Testamento Deus não exigia reuniões. Eram poucas as vezes que se reunia a “qahal” (ASSEMBLÉIA).  No templo (tabernáculo também) não havia assentos para reuniões. O próprio conceito de adoração, ordenada por Deus (Mt.4:10) não exigia reunião (Sl.95:1,2,6). No Novo Testamento, durante toda a fase da Igreja Primitiva, não se construíram templos e, em conseqüência, não se reuniam juntos todos os santos. E não era necessário. Mas eles tinham UNIÃO. Porque sua união se baseava na unidade dos líderes. E a igreja era descentralizada. Pequena exceção é feita aos cristãos de Jerusalém, que iam juntos ao templo, tão somente por serem judeus. Mas suas reuniões mais importantes eram feitas nas casas (At.5:42) . Em toda a História do Cristianismo, os capítulos mais importantes e os Avivamentos não aconteceram nas grandes reuniões, mas nas pequenas, com grupos caseiros e menores. As próprias instruções de 1Co.14 não se aplicariam a grandes reuniões.
     As grandes reuniões, de massa, de pouquíssimo proveito espiritual, têm mais servido à vaidade dos líderes do que a Deus. E a construção de grandes templos e catedrais somente para atender a isto. Em conseqüência, a estratégia de grandes reuniões e grandes templos se volta frontalmente contra a ordem do IDE do Mestre: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura...” Em outras palavras: ESPALHAI-VOS.
     A necessidade que os cristãos têm de comunhão com outros cristãos, dificilmente é satisfeita em grandes reuniões. Ela se cumpre mais em grupos pequenos, caseiros, que se constituem em verdadeiras células de um corpo. E facilitam a UNIÃO dos irmãos.
     Por outro lado, seria possível se viver a vida cristã sem se congregar? Não. Hb.10:25.
     Cada vez mais vamos entendendo que o nosso fóco cristão deve ser colocado nas pessoas e não nas reuniões, nos relacionamentos e não nos ajuntamentos.
     Modernamente, o avanço da tecnologia e a quase “onipresença” das redes sociais, têm confrontado a estratégia “evangélica” de grandes reuniões. Por vezes, uma quantidade cada vez maior de crentes vai às reuniões com o celular ligado e o pensamento longe dali. A ciber-interação passou a fazer parte da vida de todos. E dentro desse contexto, a noção de UNIÃO, COMUNHÃO (koinonia) espiritual, vem exigir cada vez mais que seja complementada através do uso das redes sociais, e não só através do contacto físico das pessoas. Poderíamos tentar imaginar uma igreja virtual, uma comunhão através das redes sociais e uma reunião sem que as pessoas estejam “juntas”? De certa forma, é o que hoje ocorre com os que se convertem nos países “muçulmanos”, como o Irã. Sua comunhão com outros, bem como sua edificação espiritual, se dá virtualmente.  Existirá erro nisto?  Estamos prontos para entender uma comunhão sem reunião?  É possível termos união sem reunião?  Ou reunião sem ajuntamento (reunião virtual)? Podemos usar as redes sociais para pastorear o povo de Deus? Elas se permitem ser usadas espiritualmente?
     Nesses últimos tempos, em que a fé vai se esfriar de quase todos (Lc.18:8), até mesmo pela dificuldade das reuniões, estaremos encarando a manifestação do amor e a comunhão espiritual através das redes sociais? E se Satanás, através de seus prepostos no mundo (Zuckerberg etc.), começar a nos vigiar e cercear nossa comunhão?
    Seria bom entendermos porque Deus deseja nossa UNIÃO e não necessariamente REUNIÃO.  
    Preparemo-nos para a vida cristã nos últimos tempos !


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

LÍDERES EVANGÉLICOS COMO JEÚ

OS  JEÚS  QUE  DEUS  USA  AO  LONGO  DA  HISTÓRIA
                                   PR. Érico R. Bussinger

     Sempre me despertou a leitura da História Bíblica a respeito do personagem chamado JEÚ.  Ele aparece nos cap.9 e 10 de 2Reis. Era um capitão do Exército, termo que significava comandante de uma companhia ou grupo de soldados. Aparentemente ele não era comandante geral e nem mesmo sabemos se o rei Jorão, filho do rei Acabe, naquela época tinha um comandante geral para o Exército, ou se ele mesmo, por precaução contra traições, o comandava pessoalmente. Jeú era filho de Josafá, filho de Ninsi, o que não nos acrescenta nada de significativo. Apenas sabemos que ele era um dos capitães.
     Deus já havia revelado ao profeta Elias, antes de partir, que ele deveria ungir ao Jeú como novo rei de Israel (1Re.19:16). Também não sabemos porque ele “passou” essa responsabilidade para o seu discípulo, profeta Eliseu. Este também não quis cumprir a ordem de Deus diretamente e também “passou” a responsabilidade para um outro discípulo de profeta, anônimo (2Re.9:1,2). E ele cumpriu a missão. A partir daí Deus fez os fatos acontecerem, por conta do curso natural das coisas e das inclinações naturais das pessoas. As coisas aconteceram e Jeú teve que contar para os seus “colegas” que havia sido ungido rei por mandado de Deus, para extirpar a casa de Acabe (2Re.9:6-10). Imediatamente eles aderiram à revolta e a conspiração aconteceu. Não foi difícil matar o rei Jorão, que estava doente. E de resto, Jeú também matou o rei Acazias, de Judá, que era cunhado dele, casado com a Atalia, filha da Jezabel com Acabe.
     Não foi necessário Deus revelar mais nada, porque a índole do próprio Jeú se encarregaria de cumprir os propósitos de Deus. E ainda foi além.  Como se não bastasse destruir toda a descendência e o parentesco de Acabe, ele fez um serviço “extra” para Deus, eliminando todos os adoradores de Baal (2Re.10:28). Se pensarmos que Jeú estava imbuído de um sentimento “sincero” de obedecer a Deus, pelo fato de lhe agradecer a unção como rei, nos enganaremos. Logo após cumprir a  missão ordenada e também a missão “extra”, Jeú se entregou à sua natureza, fazendo o que bem entendesse.  Jeú também seguiu a religião de Jeroboão, filho de Nebate, que basicamente consistia em fazer atos religiosos ao gosto do povo e não por obediência a Deus (2Re.10:29,31). E assim prosseguiu, até a sua morte, após deixar o exemplo para os descendentes e conterrâneos.
     Os fatos principais da História estão registrados nesses resumos. A análise da História, entretanto, fica por nossa conta, o que devemos fazer à luz do Novo Testamento, do restante da revelação bíblica e à luz do Espírito Santo.
     Por que Deus escolheu a Jeú?  Entendemos que foi porque não havia outro melhor, ou menos pior, para cumprir “aquelas missões”.  Perguntamos se não poderia Deus “importar” um rei para Israel, de Judá ou mesmo de outro país, um rei que fosse mais do agrado de Deus. Não, certamente. Deus já deu mostras suficientes de que usa “o que tem disponível”. E das pessoas que tinha, o Jeú era o que mais se aproximava do perfil exigido para cumprir aquelas missões. E qual perfil?   Jeú era um homem rude, sem muita cultura, sem muita espiritualidade, violento e ousado. E isso atendia aos propósitos de Deus naquela ocasião. Se até mesmo Elias e Eliseu fugiram daquela missão, entendemos que qualquer outro rei, no lugar de Jeú, seria mais condescendente, tolerante e brando, não cumprindo bem a missão “violenta” dada por Deus. Recordemos que Jéter, o  filho de Gideão, quando recebeu do pai a missão de matar dois reis, tremeu e não o fez (Jz.8:20). Até mesmo o próprio Deus se utilizou de um demônio, para cumprir a missão “violenta” de matar o rei Acabe (1Re.22:22,23). Não devemos nos esquecer que Deus é o “Senhor dos Exércitos”.
     Entendemos aqui um princípio inerente à Soberania de Deus: “Ele usa quem Ele quer”. E em geral, dentre os disponíveis. Também em geral ninguém cumpre totalmente a vontade de Deus. Mas esse fato não é problema para Deus, uma vez que Ele “sabe escrever a História”, ainda que com “linhas tortas”.
     O que me deixa extasiado é que Deus tem usado homens de todo tipo no decorrer da História, para fazer a Sua vontade acontecer. Por exemplo, Deus “usou” Caim, para nos ensinar as virtudes de Abel. Ele usou Judas, Pilatos e os sacerdotes, cada um na sua índole própria, para fazer cumprir o Seu propósito de levar Jesus à cruz. Ele usou Nabucodonozor para levar o Judá cativo, a fim de promover, com dores, o avivamento necessário entre eles. Deus usou Ciro, rei da Pérsia, para fazer o Seu povo voltar do cativeiro. E assim, Deus tem usado os reis da História para propiciar condições à Igreja para desenvolver a santificação e o aperfeiçoamento espiritual. Deus usou o Comunismo e seus violentos líderes para trazer na Igreja subterrânea os mais lindos capítulos de fidelidade a Deus. De igual maneira, Deus tem usado o Estado Islâmico e os terroristas muçulmanos, para fazer Israel se voltar para a Torah.
     E no Brasil, me impressiona sobremaneira como Deus usa o “pessoal” do tráfico, para despertar nos crentes temor e coragem para testemunhar. Até mesmo os governantes corruptos do Brasil não deixam de “serem usados” por Deus para “purificar a Igreja”, isto é, aliciar e corromper aqueles que não têm o coração sincero para com Deus (2Tm.2:20). Até mesmo a mídia e o dinheiro têm sido “usados” por Deus para “separar”, dentre os líderes evangélicos, aqueles que são corrompíveis. E Deus faz questão de que tudo isso se torne público, “para que os aprovados se manifestem”. E, com dor no coração, eu posso afirmar que “até os falsos profetas e apóstolos” de nosso meio no Brasil, também estão cumprindo uma “missão divina”, qual seja, de oferecer a oportunidade para que os que queiram possam voltar à lama, que na verdade é o seu lugar (2Pe.2:22).  Eles estão cumprindo uma missão “dura” (como a de Jeú-2Re.10:18) no Brasil de hoje, que é a de “enganar, se possível, até os próprios eleitos” (Mt.24:24). Os verdadeiros cristãos vão se entristecer, mas conseguirão ficar firmes (2Tm.2:19), ainda que a maioria se corrompa (Ap.22:11). Mesmo se corrompendo, eles estão divulgando o Evangelho. São os Jeús de hoje.
     Pense nisto, em como os falsos profetas têm facilidade para convencerem, prosperarem, se enriquecerem e fazerem suas igrejas “crescerem” (1Tm.6:9,10 e 1Jo.4:5). Eles usam o Evangelho, embora seu coração não esteja no Evangelho.  São como Jeú.
     As Igrejas Evangélicas do Brasil estão cheias de Jeús, fazendo a História acontecer !!!

     

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

POR QUE A CHINA É GRANDE

      A  CHINA  E  A  BÍBLIA
                                        Pr.  Érico R. Bussinger
     Até há pouco tempo (cerca de 50 anos atrás), a China ainda era um país desconhecido. E muito misterioso para os ocidentais. Muito pobre, a China “exportou” pessoas para muitos outros países, que começaram a conhecer um pouco da sua cultura e principalmente da sua culinária. Pelo fato de os EUA terem recebidos muitos chineses, que criaram lá seus famosos restaurantes chineses, o turismo mundial se encarregou de espalhar esses costumes. Em pouco tempo todo o primeiro mundo e toda a América começaram a ter também seus restaurantes chineses. E no Brasil também as famosas pastelarias com caldo de cana.
     O Comunismo dominou a China a partir de 1949. E de cerca de 30 anos para cá, após o fim da era maoísta (de seu fundador Mao Tsé Tung), a China começou a adotar o capitalismo, embora mantendo o governo chamado comunista. Inicialmente era uma pequena faixa de litoral liberada para as indústrias do primeiro mundo se instalarem lá. Era para produzirem, visando unicamente a exportação. Nada dali, daquela China capitalista, poderia ser levado para o seu interior comunista, onde massas imensas (centenas de milhões de pessoas) viviam sob a ditadura comunista e passavam fome, ou só tinham o tradicional arroz para comer. Com o sucesso do modelo dessas zonas de processamento para exportação, o país inteiro foi se enriquecendo. A mão de obra era a mais barata do mundo e livre de leis de proteção trabalhista. Seus produtos baratos inundaram o mundo. O enriquecimento da China fez com que o país abrisse seus “muros” gradativamente, para que o capitalismo fosse entrando. Isso sem afetar o modo de governo ainda chamado comunista (sem democracia). Esse enriquecimento fez da China hoje o 2º.país do mundo em economia e ameaçando a liderança dos Estados Unidos. As pretensões expansionistas chinesas aumentaram. Hoje o país tem ambições mundiais, mas principalmente em unir “todos” os países do Oriente. Essa marcha hoje é rápida. É a realidade de nossos dias.
     Com o advento do capitalismo, houve também um certo “afrouxamento” das rígidas leis de controle da religião chinesa. A Igreja cristã subterrânea (perseguida) que havia se expandido até ter cerca de 100 milhões de cristãos, rapidamente se expandiu (e se abriu, saindo da ilegalidade). Hoje tem cerca de 300 milhões de fiéis, embora o Governo reconheça pelo menos 100 milhões. A perseguição volta a aumentar em nossos dias. Isso, no entanto, não afeta a fidelidade desses cristãos, já bastante acostumados a se resignarem no sofrimento da perseguição religiosa. E eles continuam orando pelo Governo, o que sempre fizeram, mesmo nos dias mais difíceis de Mao Tsé Tung. Em conseqüência, Deus ouve as orações dos seus servos chineses e continua a abençoar o seu país.
     No plano profético, a China liderará o bloco de nações orientais que partirá, segundo algumas interpretações, com cerca de 200 milhões de soldados para Israel. Isso ocorrerá na chamada Semana da grande Tribulação. Nessa época o Anti-Cristo, que governará o ocidente (EUA, Europa e o resto, incluindo o Brasil), terá dominado Israel. Para que isso ocorra brevemente, os EUA e Europa aumentarão sua pressão sobre Israel desde já. Por algum motivo, talvez por já se sentir mais forte, a China partirá para conquistar o Oriente Médio, que estará nas mãos do Anti-Cristo, uma vez derrotada a Rússia (O Gogue e Magogue de Ez.38 e 39). Será a batalha do Armagedon, que não ocorrerá entre o Oriente (China) e o Ocidente( EUA), devido à intervenção direta de Jesus (Ap.19:11-21). A Bíblia diz que Jesus derrotará o Anti-Cristo (Dn.7:25-27 e 11:45), mas evidentemente destruirá também o poder da China e introduzirá o Milênio, tendo prendido a Satanás.
     A cultura chinesa tem se mantido sem grandes influências ocidentais por cerca de 4.500 anos, que é a data estimada de sua escrita (segundo eles).  Porém a ida deles para lá deve ter ocorrido cerca de 500 anos antes, devido a um êxodo proveniente do Iraque. Foi o espalhamento decorrente da Torre de Babel.
         Veja o esquema a seguir:
3000 a.C.: evento Torre de Babel
2500 a.C.: início da escrita chinesa
1400 a.C.: Gênesis foi escrito por Moisés
600 a.C.: nascimento de Buda
240 a.C.: início do budismo como religião
     Modernas pesquisas ligam esses fatos todos. Uma delas é a levada a efeito por um chinês, Dr. C.H.Kang, que escreveu o livro intitulado “The Discovery of Genesis”, onde ele faz descobertas fantásticas, que ligam a escrita chinesa, de caracteres simbólicos (pictogramas), aos eventos do Dilúvio. Ou seja, ele mostra que dos 80.000 caracteres da escrita chinesa, todos são derivados de 600 caracteres básicos, entre os quais uma grande parte está relacionada à História do Dilúvio de Noé. Em outras palavras, a escrita chinesa preservou, por quase 5.000anos, a verdadeira História do Dilúvio. E isso muito tempo antes de Moisés a escrever na Bíblia.
     Outras pesquisas também mostram que inicialmente (até Buda-cerca de 600A.C.) os chineses mantinham uma religião muito parecida com a de Abraão, que adorava a um único Deus. Já no século 12 de nossa era (entre os anos 1150 e 1200) o aventureiro Marco Pólo, italiano, esteve lá na China e foi muito bem recebido pelos mongóis, que dominavam quase todo o seu território atual. Ele narra em seu “Livro das Maravilhas” a boa recepção que teve pelo Kublai Khan e como ele se interessou em fazer uma aliança com o papa cristão (o que não ocorreu). Esse livro mudou a História da humanidade, revelando para o Ocidente a desconhecida China. Foi o livro que inspirou profundamente o seu conterrâneo Cristóvão Colombo.
     No início do século 20 Hudson Taylor foi como missionário para a China, tendo encontrado um país virgem para o Evangelho, mas sedento da verdade. Foi quando o Evangelho começou, nesses últimos tempos a se espalhar pela China. Na época os ingleses tinham lá a maior influência. Isso foi “providenciado” por Deus, que preparou o terreno para a atual expansão do Evangelho na China. Vieram as guerras mundiais, o comunismo, a perseguição, mas o Evangelho continuou a se expandir.
     No nosso entendimento, Deus nunca se deixou ficar sem testemunho de Si na China. Mesmo sob as duras perseguições do Budismo e do Comunismo. E eu creio que a pureza da civilização chinesa, que se manteve longe da democracia grega, do iluminismo ocidental, da Revolução Francesa, do Ateísmo do século 19 e da avalanche pecaminosa do último século, é o motivo do Avivamento Chinês dos últimos anos e também o motivo da atual pujança atual da China como país.
     A China é uma demonstração inequívoca da Soberania de Deus e de Seu poder de salvar.
     E que venha logo o Armagedon, para chegar antes o Arrebatamento e logo a seguir o Milênio (Lc.21:27,28).
     Maranatha !!! Vem logo, Senhor Jesus.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

FUJA DO RANÇO RELIGIOSO EVANGÉLICO

LIVRO DE RUTE E O RANÇO RELIGIOSO DA NOEMI
         PR. Érico Rodolpho Bussinger
     Eu creio que “tudo que foi escrito o foi para nosso ensino” (Rm15:4), e entendo que a história de Rute está inserida na Bíblia para que tiremos lições aplicáveis a nós cristãos nos dias atuais.
     Há uma religiosidade má entranhada no coração do ser humano, que o apóstolo Paulo chamou de “espírito supersticioso”(At.17:22). Eu chamaria isso de “ranço religioso”, aquele cheiro ruim de religiosidade que transmite intolerância, levanta barreiras, não tem nada de amor e espanta as pessoas. Eu creio que esse “ranço”, fruto de uma acomodação religiosa até dos melhores crentes, é o responsável pela estagnação do avanço do Evangelho. Quando se institucionaliza a religião, quando as pessoas são ali encaixadas e se acomodam, isso cria um ambiente religioso formal, envolvente e aprisionador. Esse ambiente religioso não dá liberdade às pessoas, mas pelo contrário, as vigia e escraviza. Seus fiéis se desenvolvem no fundamentalismo (da sua doutrina) e passam a se sentir “donos da verdade”. Construindo  um arcabouço doutrinário, que vai sendo conformado com o tempo, para que seja coerente em si mesmo, obriga os seus fiéis a se escravizarem a ele e lhes promove uma lavagem cerebral afirmando que aquilo é a “reta verdade”. O fanatismo está comumente ligado a esse ambiente religioso. E a imagem que essa “religião” transmite é o que chamo de “ranço religioso”, que consegue convencer a alguns, mas espanta com ódio a esmagadora maioria dos demais.
     Não foi por coincidência que o Mestre fugiu desse ambiente religioso o quanto pôde. Mas ao final, para se cumprirem as Escrituras, foi entregue a esse mesmo ambiente religioso, que terminou por crucificá-lo.
     O judaísmo é um bom exemplo desse espírito religioso que acabou gerando uma religião exatamente ao contrário do que Deus queria (Ex.19:6). O cristianismo formal (pós Constantino) aproveitou esse ranço do judaísmo e até o exacerbou. O islamismo, que veio depois, fez desse ranço a mola mestra para a prática da violência, na conquista do poder. O protestantismo da Reforma seguiu o modelo rançoso. Modernamente, religiões como os Mórmons e Testemunhas de Jeová não são diferentes. E o pior é que os evangélicos também, apesar de pregarem outra coisa, acabam também praticando uma religiosidade rançosa e intolerante, inclusive aos de outras “denominações”.
     No livro de Rute ganha destaque a Noemi, religiosa rançosa, que conhecia bastante os fundamentos da sua religião, mas não absorveu a essência do mandamento mais importante: “Adorar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”(Mt.22:36-40). Provavelmente foi ela que incitou o marido Elimeleque a buscar, por interesses próprios, outro país e outra terra que não aquela onde Deus os tinha colocado. Após o juízo de Deus, ela queria “se livrar” das noras, então peso incômodo para ela. Quando retornou a Judá, seus olhos foram postos nas coisas materiais. E a partir daí, passou a querer usar a Rute para atingir seus propósitos. Foi ela quem “empurrou” a Rute para cima do Boaz. Tudo o que Noemi fez foi sempre por interesse próprio.
     Eu creio que o nosso meio evangélico (que é o que nós conhecemos) gerou em nossos dias um ranço tal que leva a maioria de nossos fiéis a uma soberba de se acharem os mais certos, a um desprezo dos outros irmãos, a uma intolerância quanto aos de fora e uma barreira impedindo o evangelizar. No meu entender, esse ranço religioso anda de mãos dadas com a mornidão. Repare como as “grandes” e  muito bem organizadas igrejas conseguem atrair pessoas com essas características. Em geral eles são antigos no Evangelho, conhecem a Bíblia, embora não a pratiquem, são egoístas, na maioria avarentos, não evangelizam, não têm amor aos demais irmãos, muito menos aos de outras denominações, não dão frutos, mas são exigentes. E no fim constróem uma denominação como eles, também com essas características. É uma geração de Noemis.
     Eu creio que estamos vivendo a época da igreja de Laodicéia, aqueles que não eram frios nem quentes e que, por isso, estavam a ponto de serem vomitados da boca do Senhor (Ap.3:16).
     As exortações que o Senhor deixa para nós nas Escrituras, e que devem se multiplicar, à medida que se aproxima a volta dele (Hb.10:25), vão todas na direção de deixarmos esse sistema religioso (Ap.18:14, 2Tm.2:19), para não sermos cúmplices em seus pecados. Sim, o ranço religioso é pecado e leva a outros pecados conseqüentes. Portanto, não há outra forma de agir. Fuja das fôrmas religiosas. Não adianta combater (veja Lutero), não se pode reformá-lo e ele não muda. O ranço religioso não tem amor, não tem nada de Deus, mas vai se fortalecer até apoiar o “falso profeta”, a besta “religiosa” que apoiará o anti-Cristo.
     Deus vai dirigir todo cristão verdadeiro para onde deve congregar, o que deve praticar, como amar, evangelizar, como adorar e cultuar. Mas com certeza, longe de todas as fontes de ranço religioso chamadas cristãs.

     Fuja do ranço religioso você também. Deixe de ser uma Noemi !

domingo, 16 de julho de 2017

Padrão de Mulher na Bíblia

SUBMISSÃO É A MARCA DE DEUS PARA A MULHER
                         (ou FILHAS DE SARA-III)
                     PR. Érico Rodolpho Bussinger
     Como pastor, chamado por Deus, e por Ele responsabilizado para orientar pessoas (que queiram) em como devem viver para agradar a Deus, não posso fugir dos temas família, educação e sexo, entre tantos outros igualmente importantes. E como entendemos que o Reino de Deus deve se expandir através do discipulado, há necessidade de termos em mente padrões bíblicos para serem repassados às próximas gerações (naturais e espirituais).
     No caso do modelo feminino a Bíblia não é de modo algum omissa.  Eva, que era o protótipo, se deixou influenciar pelo inimigo, contaminando assim toda a raça humana, ela e seu esposo Adão. Deus então passou a focalizar também outras mulheres, através da Bíblia, para que pudessem ser tomadas como modelos do tipo de mulher que Ele deseja. Para a formação do modelo feminino bíblico muitas mulheres contribuíram, cada uma delas em áreas específicas de suas vidas. A própria Eva, embora não pareça ter sido muito virtuosa e embora tenha pouco de sua história registrada, também pode contribuir grandemente para a construção de um modelo bíblico para a feminilidade, através da aceitação de toda a fórmula divina estabelecida. Está registrado no livro de Gênesis que foi à Eva que Deus determinou como deveria proceder. E cremos que ela o fez. Por exemplo, sobre o sexo, ela deve ter satisfeito o marido, gerando muitos filhos e filhas (Gn.5:4). Cremos também que a Eva compreendeu que, após o pecado, para a mulher se satisfazer teria que primeiro satisfazer o marido (Gn.3:16). Sobre trabalho, criação de filhos, tarefas domésticas etc., a Eva também deve ter se posicionado como deveria.
     Por todo o tempo da construção da arca, durante o dilúvio e após o mesmo, cremos que a mulher de Noé também lhe foi ajudadora fiel.
     Após o dilúvio, se destaca (e com muitos detalhes na Bíblia) a participação virtuosa da Sarai (Sara) como uma esposa participativa, submissa e agradável. Abraão a amou, valorizou e realmente se encantou com ela. A Sara é tomada na Bíblia como a mulher cuja feminilidade deve ser imitada por aquelas mulheres que, igualmente, querem ser vitoriosas e agradáveis a Deus. (1Pe.3:6). Ela encantou o marido e conseguiu dele o que quis. Sara não foi mulher de oração, poetisa, profetisa, sacerdotisa. Simplesmente ela foi mulher! O que Deus queria que a Eva fosse, a Sara o conseguiu, tornando-se dessa forma, a mulher-modelo da Bíblia. E as “Filhas de Sara” serão todas aquelas mulheres, em todas as eras da humanidade, que entenderem o seu papel como esposas, agradando assim ao Senhor. Elas poderão ser boas donas de casa, boas mães, mulheres de oração, mulheres espirituais e até, segundo Salomão, mulheres profissionais, empresárias e administradoras (Pv.31:10-12). Mas sem esquecer o chamado inicial de Deus, para o qual as mulheres foram criadas, auxiliadoras idôneas de seus maridos! (Gn.2:18).
     Muitas outras mulheres ornaram a galeria bíblica das mulheres, como a Lia e a Raquel para Jacó, a Rebeca para o Isaque, a Rute, cuja simplicidade, fé e submissão dispensam apresentação, a Débora, mulher de oração e ação, a Abigail do Davi, a rainha Ester e, no Novo Testamento, a Isabel, a própria Maria, a sua xará Madalena, a Lídia de Filipos e as muitas obreiras mencionadas pelo apóstolo Paulo. Há também, na galeria das mulheres da Bíblia, e não podemos nos esquecer dela, a Jezabel, que por suas ações e iniciativas, desempenhou um papel preponderante de liderança na nação. Discípulas da Jezabel não faltam na vida política de qualquer nação. A própria mulher virtuosa, que Salomão não encontrou (Pv.31:10 e Ecl.7:28), se quiser atender a tudo que ele lhe atribui, corre o risco de se tornar uma Jezabel. Até nas igrejas e na vida religiosa, isso pode ocorrer (Ap.2:20).
     Embora Maria, mãe de Jesus, tivesse sido uma mulher virtuosa, teve que receber graça especial- então não pelo seu mérito (Lc.1:28)- para a sua tarefa mais importante, que era a de criar seu filho primogênito, de forma simples, educando-o bem e lhe ensinando o caminho da Lei. O resto seria por conta do Pai.  Mas nem mesmo a Maria encontra na Bíblia qualquer texto orientando as demais mulheres a lhe serem seguidoras.
     O modelo bíblico para a mulher é a SARA (1Pe.3:5,6).  Por sua simplicidade e submissão, ornou a sua beleza interior (o que às vezes é chamado na Bíblia de graça), a ponto de “encantar” a todos que a viam. Não era a beleza exterior o seu destaque (1Pe.3:3,4), mas a beleza interior, denominado: “um espírito manso “(1Pe.3:4).   Abraão simplesmente esteve em suas mãos, querendo agradá-la em tudo. E as filhas de Sara, hoje, serão aquelas que, tão somente mulheres, como a Ester, que achava favor de todos quantos a viam (Et.2:15), estarão cumprindo o propósito original de Deus na criação, através de sua beleza interior, o que atrai seus maridos. E assim satisfarão plenamente o projeto de Deus.
     Ser como Sara é o modelo bíblico para a mulher!

Que Deus nos dê muitas “FILHAS DE SARA” hoje em nosso meio.    

quinta-feira, 22 de junho de 2017

SOBRE UNIDADE DA IGREJA

CARTA AOS LÍDERES EVANGÉLICOS:    
                   PR. Érico Rodolpho Bussinger
     Embora dirigida aos nossos líderes da Comunidade Ramá (a quem aproveito para pedir que uns passem para os demais e discutam este assunto), não há a menor dúvida de que o assunto é bíblico, aplicável a todos os líderes cristãos e, aliás, é sobre eles mesmos.
     A oração do Senhor Jesus em Jo.17 tem como ponto central a sua súplica ao Pai pela unidade da Igreja (Jo.17:21). A unidade da Igreja é um assunto assumido (teoricamente) pela maioria dos líderes, mas relegado e nada praticado, o que entristece profundamente o Mestre. Ver a Sua noiva dividida, como “ave de rapina de várias cores” (Jr.12:9), é realmente entristecedor.
     Crer que a Igreja é uma só, a única, a noiva de Cristo, é entender que todos os cristãos de uma localidade são da mesma igreja, devem se respeitar mutuamente, devem se amar, levar a carga uns dos outros, preferir em honra uns aos outros, etc. E nada disso acontece!  Por exemplo, cada denominação (e em geral todas) estudam a Bíblia aplicando as passagens que se referem à Igreja como sendo a “sua denominação”, o governo da Igreja como sendo a direção da “sua denominação”, o progresso da Igreja como sendo o avanço da “sua denominação”. E assim por diante. Quando a “sua denominação” avança, eles se alegram e comemoram, não importando que os outros tenham andado para trás. Nesse caso alguns vão até se alegrar por isso. É espírito de competição. E não espírito de unidade ou Espírito Santo. Isto é SECTARISMO e não espiritualidade ou amor.
     A maioria dos líderes não passa de ADMINISTRADORES da organização chamada Igreja e por isso a fazem funcionar (humanamente), gerando NÚMEROS apenas. Mas não espiritualidade. Os membros não crescem. Eles só “engordam”, na linguagem de Juan Carlos Ortiz. A Igreja aumenta em número, dinheiro, obras, templos, mas não em espiritualidade, em unidade, em influência na sociedade e na intercessão. Nem de longe entendem o que é o SACERDÓCIO (1Pe.2:9). Estão longe do alvo, a unidade da fé, porque não preservam a unidade do Espírito (Ef.4:3,13). Desobedecem a Deus e ignoram suas ordens de salgar a terra (Mt.5:13,14 e 1Tm.2:1-4). E a nação o sente!
     Por isso, muitos buscam e não acham. Oram e não são respondidos. Sobem montes, fazem vigílias, convocam reuniões intermináveis e fazem muitos eventos, mas somente para aborrecer ao Senhor (Is.1:12-15). Eles só conseguem orar pelo aumento do seu “feudo”, não enxergando o bem comum de toda a família de Deus, de quem toda ela toma o nome e não somente uma parte dela (Ef.3:15). Em outras palavras, são sectaristas, edificando uma seita (a sua denominação) e não o corpo (todo) de Cristo. Por causa deles, muitos se escandalizam (alguns só por discordarem deles) e o Evangelho é difamado na cidade. Sim, porque no afã de darem relatórios numéricos, apresentarem resultados (numéricos) e poderem se vangloriar, se entregam à avareza e chegam ao desespero de fazerem coisas que envergonham o nome do Senhor.
     É também por causa deles e disso, que a MALDIÇÃO de Deus está sobre o Brasil. Não, não é crise, é juízo de maldição de Deus o que está vindo sobre o Brasil. E vai piorar.!
     Nós não estamos nisso não. Saia da Babilônia. E vamos buscar a unidade do corpo. E agradar ao Senhor. Somente quando cumprirmos a unidade de Cristo é que o mundo vai nos reconhecer como sendo dEle (Jo.13:34,35). E um obreiro só será aprovado por Deus quando “visualizar” que a Igreja é toda ela e não somente um pedaço dela. Não é quantidade, é unidade. Caso contrário, aos olhos de Deus, o obreiro será tido como um sectário ou meramente um religioso.
     Você entende a gravidade deste assunto?  Gostaria de crer que sim.
      A seguir, algumas recomendações práticas, crendo que o Senhor as assina:
1)      Ore pela unidade da Igreja continuamente, ecoando a oração do Mestre;
2)      Procure conhecer as “igrejas” vizinhas da cidade, seus líderes e suas ações;
3)      Oriente seus liderados a procurarem os demais cristãos no seu bairro, na sua empresa, na sua escola,  repartição, quartel, no seu bairro etc. Isso para orarem e evangelizarem juntos;
4)      Procure entender as diferenças doutrinárias de uma maneira analítica e não criticando. Afinal, toda “doutrina”, ainda que seja de homens, tem alguma coerência intrínseca ou origem;
5)      Procure acompanhar o que acontece nas “outras” igrejas, lendo seus jornais, boletins, ouvindo suas programações de rádio (TV), vendo seus sites na internet, etc. Para orar por eles;
6)      Procure participar e levar seus liderados a participarem também de todos os eventos evangélicos inclusivos, como campanhas públicas de evangelização, de oração (ainda há muito poucas, mas vão aumentar, à medida que mais sangue for derramado em sólo brasileiro), dia da Bíblia, Marcha para Jesus (ainda que seja também para “alguém” mais), etc;
7)      Chame os outros líderes para orarem pela cidade, pelo bairro, pela universidade, etc;
8)      Fuja (sem criticar) da participação política. Isso nos divide e gera perda de tempo e fóco;
9)      Abra os olhos para o chamado profético da Igreja e não somente para as atividades de “entretenimento religioso”, visando aumentar (ou engordar) a sua denominação.
Entenda que somos uma só noiva do Senhor e não um amontoado de grupinhos religiosos!

                             Deus nos dê graça para caminharmos em direção à Unidade!