terça-feira, 16 de junho de 2015

UM CRISTÃO PODE SER EMPREGADO-MODELO?

PODE UM CRISTÃO EVANGELIZAR ENQUANTO TRABALHA?
Pr. Érico Rodolpho Bussinger
Qualquer questão de conduta, como esta, dependerá, para sua resposta, da base que a pessoa estiver tomando para sua decisão: o bom-senso ou a Bíblia?
Do ponto de vista do patrão ou empregador ou chefe, ao contratar uma pessoa ele desejará ter essa pessoa dedicada ao seu trabalho para o qual foi contratada. Qualquer atividade extra que ela quiser exercer durante o seu expediente de trabalho, como por exemplo, pregar o evangelho, estará indo contra o seu rendimento no trabalho e, portanto, sendo contra-producente. O chefe ou patrão que concordar com permissões desse tipo logo estará perdendo “sua moral” e vendo todo o seu pessoal fazer “outras coisas” alheias à finalidade do trabalho. Um vai vender coisas pelo telefone, outro vai cuidar das suas coisas da casa e um outro simplesmente vai cruzar os braços em solidariedade (ou por pretexto) dos outros. O bom-senso (não a Bíblia) dirá: “No trabalho evangelize só com seu testemunho”. O entendimento corrente dirá: “Nenhum trabalhador em serviço se envolve com coisas do Reino de Deus” (2Tm.2:4).
Se um cristão for se basear na Bíblia e nos exemplos da Bíblia ele julgará como tarefa sua primordial o evangelizar “a tempo e a fora de tempo” ou “pregar quer seja oportuno quer não”(2Tm.4:2).
Na ética protestante este assunto não é novo. O colocar o trabalho acima de tudo é atitude defendida por muitos. “Religião é lá na Igreja. Aqui é lugar de trabalho”, dizem muitos. E é claro que Satanás também gosta deste ponto de vista. Se todos os crentes se abstivessem de evangelizar no seu ambiente de trabalho (que em geral é controlado por ele-Satanás- através das leis do capitalismo), toda a sua tarefa estaria mais facilitada.
O fato é que o Senhor Jesus nunca afirmou qualquer coisa como colocar o trabalho acima de tudo. Pelo contrário. Mandou dar a “César” só o que fosse dele (Mt.22:21). Mas a Deus o que lhe fosse devido – a prioridade (Mt.6:33). Ele sabia que este mundo está posto no maligno. Suas empresas também. E como cristãos devemos apenas “usar” este mundo -1Co.7:31 (suas empresas também), mas não amá-lo (1Jo.2:15,16).
Por outro lado, um cristão que pregar o evangelho no seu trabalho nunca será tido como um “bom empregado”, nem será muito promovido pelos interesses da empresa. Poderá até mesmo ser demitido pelo patrão, por não se “enquadrar” no “espírito da empresa”. Mas se ele fizer isso por convicção é que não deveria mesmo estar naquele emprego. Se não se pode falar do seu senhor no emprego é melhor sair dele. Isso cheira bem a hipocrisia. Todos sabem que o ser humano não é máquina. Ninguém trabalhará 100% do tempo do expediente. No trabalho se fala de futebol, novela, problemas pessoais, fofoca contra o chefe, etc. Por que logo o Evangelho ser proibido?
Na Bíblia encontramos um exemplo notável. Ester e Mordecai usaram todos os recursos do seu “trabalho” na côrte em benefício dos interesses do povo de Deus-os judeus.Et.9:29-32 e 10:3. Deus não os criticou por isso. Aliás, eles entenderam bem que foi por causa “disso” que eles foram elevados àquela posição de autoridade (Et.4:14).
Será que nossos irmãos que exercem cargos de autoridade no Governo reconhecem isso? Ou eles pensam que pelo fato de serem muito capazes, por isso Deus entendeu de os premiar, colocando-os lá em cima, no governo de “César”?
Vale a pena perguntar: “Se alguém está numa posição muito elevada numa empresa onde não se pode evangelizar, quem o colocou lá”?