terça-feira, 16 de junho de 2015

NO BRASIL CRENTE VAI BOTAR A BOCA NO PÓ?

MASTIGANDO PEDRINHAS DE AREIA
Pr. Érico R. Bussinger
A Bíblia revela para o ser humano o próprio Deus. Ela é uma História viva do relacionamento de Deus para com a humanidade, focalizada como povo, coletivamente. Embora a responsabilidade do homem perante Deus seja individual (Ez.18:4,20), o foco maior da Bíblia é sempre no coletivo, como um povo (Tt.2:14). Ou seja, o valor maior do ser humano não é de ele ser um próspero e santarrão, mas um “servo dos outros”, um “servo do corpo”, o que constitui a verdadeira religião (Tg.1:27). É nessa área (serviço ao outro) onde se manifestam as virtudes cristãs, resumidas no amor.
Em uma análise teológica correta, deveríamos examinar a época dos patriarcas (Abraão, Noé, Isaque, Jó etc.) como um início, como o valor que Deus atribuiu a Adão. Deus se revela através de um homem íntegro, pois foi esse o seu projeto inicial, ao criar a raça humana. É onde Deus foi glorificado. Deus foi muito glorificado na integridade de Jó.
Mas deveríamos evoluir ainda mais na compreensão da Bíblia, que não termina no Gênesis. A necessidade de nos relacionarmos com o próximo e desenvolvermos um sentimento de unidade, através do amor, permeia todo o restante da Bíblia, até a glorificação na eternidade, revelada no Apocalipse. Em outras palavras, no mundo o homem sozinho não tem muito valor. As grandes empresas ou corporações estão aí para o demonstrar. As agremiações em partidos políticos também. Até as igrejas gostam de “se organizar” para aumentarem em número e em poder na sociedade. A igreja ou denominação que não se organiza não “cresce”. Para Deus o solitário também não é modelo nem será exaltado. O homem ideal que agrada a Deus é exatamente o modelo do seu Filho, que viveu uma vida santa mesmo “em meio a um mundo corrompido”, sempre servindo aos outros (Jo.13:14-17), o mesmo que Deus quer para nós (Fl.2:15). Deus nos quer como Jesus, um servo dos que estão à sua volta.
A religião organizada, ou mais especificamente o cristianismo organizado, está se desviando completamente do propósito de Deus, do “ide”, do padrão de ser uma “comunidade edificada sobre o monte” (Mt.5:14), ou seja, um povo separado do mundo em princípios e valores, servindo à sociedade como um povo sacerdotal e santo para Deus (1Pe.2:9), para lhE dar o culto que Ele deseja, para o que o homem foi criado (1Pe.2:5). Você entende isso?
No Antigo Testamento a apostasia do povo de Israel foi punida com a perda do privilégio da escolha (Jo.1:11), que passou a “outro povo, a eklesia” (Jo.1:12). Mas também a nós nos é dirigida a palavra de advertência (Rm.11:21,22), para não perdermos o privilégio de sermos povo de Deus.
Como no Antigo Testamento Deus usou profetas para alertar o seu povo, também agora, na era da graça, Deus faz o mesmo. No entanto, parece que a situação se repete. Como o povo de Deus no Antigo Testamento só buscava o seu interesse próprio, enquanto vivia em pecado, praticando uma religião de aparência (Is.1:11-15), parece-nos que em nossos dias a situação não é diferente: igrejas atrás do sucesso, glória humana, conforto material, prosperidade e falta de santidade. Não havia quem clamasse, orasse ou intercedesse junto a Deus (Jr.5:1, Ez.22:30 ), também em nossos dias esse tipo de sacerdote parece igualmente raro, ou seja, quem sofra pelos pecados da igreja ou esteja “na brecha”.
A consequência no passado foi o Cativeiro. E isso foi aos olhos de Jeremias como o “mastigar pedrinhas de areia” (Lm.3:16), tamanha a dor.
Eu creio que o teste da prosperidade no Brasil (paz, estabilidade e liberdade) já está chegando ao fim.  Estamos agora muito próximos da época de “mastigar pedrinhas de areia”, pelo que virá ao Brasil (insegurança, instabilidade e perda de liberdade). Resta-nos lamentar, chorar, orar e, por que não, “colocar a boca no pó” (Lm.3:29).
A situação lhe parece longe? De “crente próspero” a um chorão de vestes rasgadas, com a boca no pó? Qual a situação do cristão no Brasil de hoje que agrada a Deus?