terça-feira, 16 de junho de 2015

OBEDECER? Ou ESPERAR? LIÇÕES do RETORNO do CATIVEIRO

OBEDECER? Ou ESPERAR? LIÇÕES do RETORNO do CATIVEIRO
Pr.Érico Rodolpho Bussinger

Embora não soubessem (Deus não lhes avisou), os judeus estavam tendo a sua última oportunidade como povo e testemunha de Deus aqui na Terra, perante as demais nações. Antes do cativeiro a reprovação foi total, a ponto de Deus não achar uma pessoa sequer que O buscasse e intercedesse junto a Ele pelo povo (Jr.5:1 e Ez.22:30). Em Israel, na época de Jezabel, ainda havia 7.000 que não tinham dobrado seus joelhos a Baal. Em Jerusalém não havia, além de Jeremias, um só que buscasse a verdade. Se com apenas 7.000 que não dobraram joelhos a Baal Deus não podia levar a cabo Sua Obra na Terra, em Judá as esperanças eram menores ainda.

Após 70 anos de privações (no Cativeiro se aprende muito- como no Egito), os judeus tiveram sua última oportunidade como povo. Eles vieram “com tudo”, ou seja, Deus lhes tinha dado todas as condições necessárias: Um decreto explícito do Rei Ciro, o Rei dos reis naquela ocasião (Ed.1), uma proteção “guarda-chuva” especial do império que dominava o mundo, a Pérsia, dotação financeira à vontade e muita liberdade para trabalhar, na sua própria terra, a terra de Israel (Canaã). A ordem era clara: Eles deveriam começar pela reconstrução do templo e restabelecer o culto a Deus, intercedendo pela vida do Rei Ciro e de seus sucessores. Isto era exatamente o que Deus sempre quis que eles fizessem (Ex.19:6). E é o que Ele também quer de nós hoje e o mais importante que podemos fazer em nossos dias (1Pe.2:5,9).

Como sempre fizeram antes, os judeus começaram pelas suas coisas. Antes de tudo se instalaram, edificaram suas casas, suas fazendas e tudo que queriam (para si). O templo ficou para depois. E devagar. Demoraram tanto, que quando estavam edificando, o Rei Ciro já havia morrido e as condições favoráveis mudaram para desfavoráveis, a ponto de a obra de reconstrução do templo ser paralisada. Foi embargada. Mas era o que muitos judeus queriam mesmo: uma desculpa para deixarem de vez a obra de Deus e ir cuidar das suas coisas. Às vezes fico pensando que muitos crentes hoje em dia até gostam quando chove, quando há uma notícia de alagamento ou de insegurança na cidade ou greve nos transportes, porque assim eles têm uma “boa” desculpa para não irem à igreja e ficarem em casa vendo TV. No caso, a proibição da obra foi logo obedecida pelos judeus.

Muitos anos depois, aparecem os profetas Ageu e Zacarias falando em nome do Senhor e reprovando a atitude dos judeus por ter paralisado a obra. Felizmente dessa vez obedeceram (a Deus) e a obra recomeçou e Deus abençoou. Dessa vez a obra chegou ao fim. Mas aí começaram outros problemas, como o casamento misto e o materialismo.

Qual a diferença entre a vontade de Deus antes e depois da proibição? Será que Deus queria mesmo antes que a obra parasse e mais tarde que recomeçasse? Essa é a leitura que muitos gostariam de fazer, como fazem para as suas decisões. “Não chegou ainda o tempo”, dizem. De fato, “o tempo” para quem não quer nunca chega. Na verdade a vontade de Deus nunca mudou. O povo é que tardou. E Deus, que dirige as circunstâncias (Rm.8:28), acompanhou a vontade do povo judeu.

Concluindo, Deus é poderoso para moldar circunstâncias (não necessariamente para nos facilitar) e fazer com que Sua obra caminhe. A ordem do “Ide”(Mc.16:15) e a recomendação de Salomão para não esperar o tempo melhorar a fim de semearmos (Ecl.11:4,6), bem como a exortação a Timóteo, de falar a tempo e a fora de tempo (2Tm.4:2) não têm tempo para serem obedecidas. É sempre!

Com relação a Deus nos atender à oração, Ele sabe o tempo melhor. Com relação a nós lhe obedecermos, não há um “tempo de Deus”. É sempre. É hoje. Não temos que esperar nada. Os judeus esperaram e ...foram mal. Não siga você o mesmo exemplo. Lembre-se que nós somos limitados, o amanhã não nos pertence e o que temos a fazer é hoje que o devemos fazer. Para obedecer a Deus o dia é hoje. É sempre. Não temos que esperar nada!