sexta-feira, 11 de setembro de 2015

SOBRE ENÉAS TOGNINI

QUANDO DEUS NOS PEDE

Passamos a vida colecionando coisas.
Guardamos até coisas sem serventia, pelo prazer de colecionar objetos.
Em geral, queremos que Deus nos dê coisas, mas Ele, às vezes, nos tira coisas.
Aconteceu com Enéas Tognini (1914-2015). Ele tinha uma biblioteca imensa e bem atualizada. Nesse ambiente, escrevia seus livros e preparava seus estudos.
Ele teve uma experiência iluminadora num encontro com Deus, no qual Deus não lhe deu coisas, mas lhe confiou uma tarefa que motivou toda a sua longa existência. Ele tinha o dom da palavra em todos os seus espaços, com um poderoso jeito de animar pessoas que saíam dos encontros com ele com uma férrea vontade de fazer mais e melhor na vida.
Houve, no entanto, um momento que Deus lhe pediu coisas. Deus lhe pediu livros.
De bem com a vida, Enéas Tognini perguntou a Deus:
-- O que queres de mim?
A resposta foi chocante:
-- Quero a sua biblioteca.
Deus queria os livros onde Enéas Tognini estudava todos os dias, passando horas na companhia daqueles autores.
A biblioteca era o seu refúgio. A biblioteca era a sua segurança.
Enéas Tognini entendeu que tinha convertidos os livros, bem arrumados, classificados, utilizados e anotados, em ídolos da sua vida. Ele amava mais os seus livros do que a Deus, como Pedro amava mais os peixes, os barcos e as redes.
Enéas Tognini perdeu os livros, que distribuiu entre bibliotecas de instituições de ensino, mas ganhou um senso de missão que nunca arrefeceu.
Como fez com Enéas Tognini, Deus nos pede coisas. Tognini lhe entregou sua biblioteca.
Diante do pedido feito a nós, a decisão nos cabe.
Do que precisamos abrir mão?

(Em homenagem ao pastor Enéas Tognini, falecido no dia 9 de setembro de 2015 aos 101 anos de idade)



Desejo-lhe um BOM DIA.
Israel Belo de Azevedo