quinta-feira, 3 de novembro de 2016

OBEDECER OU PENSAR...



 QUANDO  NÃO  ENTENDEMOS...
                         Pr.  Érico  Rodolpho  Bussinger
      Na época do Renascimento (uns 500 anos atrás) começaram a endeusar a "razão".  E não foi por coincidência.  Havia uma mente pensante dirigindo o mundo contra Deus, naquela época também.  Para os últimos tempos, em que já estamos vivendo, do que fartamente nos advertiu o Senhor, os homens deixariam o Senhor e a fé por qualquer outra coisa.  A lógica, a verossimilidade (o que parece ser a verdade) e a razão receberiam destaque.  E em conseqüência os homens se afastariam da verdade (o que é a essência da apostasia).   Desde que nossos pais Adão e Eva quiseram comer da árvore do conhecimento, de lá para cá isso tem norteado todo  avanço da humanidade e todo progresso da Ciência.
     Em Mc.11:1-7 encontramos a ordem de Jesus para seus discípulos irem à sua frente buscar o jumentinho.  Era evidente que alguém iria protestar, como é óbvio que em todo ato de obediência que tivermos que fazer, para agradar a Deus, haverá alguém (ou a nossa própria razão) a questionar.  Na hora não daria para entender porque o Mestre queria montar um jumentinho (e não a mãe, adulta).  Só bem mais tarde se compreendeu o significado daquele ato.
     Ainda em Mc.11:12-14 encontramos a inexplicável maldição de uma figueira que não tinha frutos, porque não era época. Só no dia seguinte os discípulos encontrariam uma explicação de Jesus.
     O apóstolo Pedro nos recomenda que "cinjamos" o nosso entendimento, para dar lugar à obediência (1Pe.1:13,14).  E diz que é pela obediência que nós cristãos purificamos a nossa alma (1Pe.1:22).  Diríamos até que o "obedecer é melhor do que o questionar".  Mas é exatamente nisto onde nós encontramos os maiores desafios para a nossa obediência e o nosso crescimento em direção à maturidade.  É difícil para nós que "pensamos" o simplesmente obedecer.
     O apóstolo Paulo nos afirma que exatamente devido a esse ponto é que Deus não chamou muitos sábios segundo a carne, mas preferiu usar os de menos entendimento para realizar a sua obra maravilhosa (1Co.1:26,27).   A diferença de comportamentos reside exatamente na fé, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb.11:6).  Quem se dirige pela razão vai perguntar primeiro.  Quem se dirige pela fé vai obedecer primeiro.  Os frutos desses dois comportamentos se diferenciam claramente. E têm conseqüência pelo resto da vida e da eternidade.
     Se quisermos "entender" a obra de Deus primeiro, vamos certamente ser impedidos de agir pela fé, o que pode nos fazer retroceder até à perdição (Hb.10:39).  É triste pensar-se nessa hipótese, de um "crente bem intencionado" vir a naufragar exatamente na fé (1Tm.1:19).
     Eu creio que a maioria de nós teremos sempre dificuldades espirituais na área de nossos pensamentos.  Quando a "deusa razão" se entroniza (e os homens elogiam muito uma pessoa assim) já estamos próximos de desagradar a Deus.  É,portanto, muito pertinente a recomendação de Pedro:  "cingir o entendimento".  Eu entendo isto como sendo a necessidade de "amarrarmos" o nosso entendimento, em prol da obediência, para irmos purificando a nossa alma (1Pe.1:22). Segundo Paulo, isso seria equivalente a "levar todo o pensamento cativo à obediência de Cristo" (1Co.10:4,5).
     Em resumo, sempre haverá muita coisa que não entenderemos.  Mas o melhor será nos dirigirmos pela obediência ao que sabemos.  É melhor nos dirigirmos pelas nossas certezas (fé) do que pelas nossas dúvidas (onde trabalha a razão).  E quando com o Senhor, por toda a eternidade, acredito que teremos oportunidades suficientes para tirar nossas dúvidas todas.
     Lembrando que seremos justificados pelas obras (fruto da obediência) - Tg.1:21,24,25, não deveríamos perder muito tempo com o que não entendemos.  A enciclopédia da ignorância é sempre muito maior do que a do conhecimento (aqui na Terra).
     Seja você também uma pessoa que persevera pela fé e segue para produzir frutos (Hb.10:38,39).
Paz!