quinta-feira, 25 de setembro de 2014

DEUS ou ARTISTAS ?

CULTO ou SHOW
Pr. Érico R. Bussinger
Seria bom todo cristão saber e toda igreja ensinar o que significam os 2 primeiros mandamentos dados por Deus ao Seu povo de Israel (Ex.20:3,4). Não se sabe que critérios Deus utilizou para os colocar em primeiro lugar na lista de 10. Pode ser que aos olhos de Deus fossem os mais importantes, embora na avaliação dos judeus o texto de Dt.6:5 (amar a Deus sobre todas as coisas) aparecesse no primeiro lugar dentre 613 mandamentos contidos no Antigo Testamento. Na verdade são muito relacionados entre si. Amar e dar culto a Deus. Quando Deus disse que Seu povo não tivesse outros deuses, nem os adorasse, subentendia que lhE fosse dada adoração contínua. E foi o que Jesus entendeu, quando utilizou esse texto para repreender Satanás (Mt.4:10). “Está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás e a Ele darás culto.” Mas ocorre que desta forma não se acha escrito isso em parte alguma do Antigo Testamento. Jesus enunciou os 2 primeiros mandamentos na forma afirmativa, quando em Ex.20 Deus enuncia na forma negativa. Para nós que cremos e amamos ao Senhor, é a mesma coisa. Para um religioso, entretanto, são diferentes. Para quem pensa em apenas “cumprir” os preceitos da religião pelo mínimo, a forma negativa é mais cômoda: Se eu não adoro a deuses quaisquer (nem ao Senhor), então estou bem, cumprindo o primeiro mandamento. Na verdade não está. Se não adora a outro deus qualquer (em princípio até os ateus o fazem), mas também não adora ao único soberano Deus, não está no espírito da lei, embora aos seus olhos esteja cumprindo a letra da lei. É semelhante ao caso do dízimo. Quem o dá “religiosamente” acha que está cumprindo a lei. Mas se a sua oferta não for no “espírito da oferta”(com alegria e liberalidade), será como a de Caim, que não foi aceita.
Adorar a Deus é questão de atitude. Adoração é reverência, parar tudo o mais e dar atenção. Já o dar culto a Deus é questão de ação, fazer algo que lhe agrade (ofertar, louvar, agradecer, etc.). Todo cristão deveria aprender logo no início de sua caminhada que o ser humano foi criado para adorar e dar culto a Deus. Não para assistir reuniões. Abraão adorava e cultuava a Deus mesmo sem fazer ou assistir reuniões. Em nossos dias a prática da religião, em uma maioria das igrejas, tem consistido meramente em “assistir reuniões”.E é evidente que toda igreja vai querer que o religioso leve também alguma oferta. E para eles está bem.
A verdade é que Deus espera receber culto, com a atitude de adoração, por parte de todas as pessoas e não somente dos cristãos. Mas se as pessoas naturais nem querem crer em Deus, quanto mais lhe dar alguma coisa ou sacrifício. Então os cristãos devem fazê-lo por elas. Este é o sentido do conceito de sacerdócio. Em 1Pe.2:9 nos é dito que todo cristão deve ser um sacerdote. E sacerdote não “assiste reunião”. Ele trabalha, oferecendo sacrifícios a Deus. Por si e pelos outros. A maioria dos crentes em nossos dias, entretanto, não faz mais do que passivamente assistir às reuniões da igreja. Não trabalham, não oferecem sacrifícios e até nem adoram a Deus (porque se distraem). Simplesmente, “vão à igreja para assistir reuniões”. E não é isso que agrada a Deus (Dt.10:12).
Alguém há de perguntar: “Como é então que eu faço para agradar a Deus, cumprir Seu mandamento e lhE dar culto verdadeiro? E onde?” Realmente é difícil dar culto a Deus em um ambiente massificado, onde o dirigente é um animador de auditório e o culto é apenas um show. As pessoas vão ali só para assistir e os apresentadores os querem assim! Quando muito querem que as pessoas correspondam às suas manipulações. Não há espaço para a espontaneidade. Tudo é dirigido. A reunião é para ser assim. Ela é um show, usando os pretextos religiosos. Não é para ser um culto a Deus... E para adoçar um pouco mais o agrado dos assistentes, uma boa dose de emoção e barulho harmonioso vai ajudar muito. Um “culto emocional” cai no agrado de muita gente, ao contrário de um culto mais “racional.” Só não agrada a Deus, que o condena e abomina (Is.1:10-17).
Aqueles que são chamados hoje de “ministros de louvor” ou se auto-intitulam “levitas” nada mais são do que artistas, se apresentando e buscando o elogio dos fiéis. Um ministro verdadeiro, na concepção bíblica (Ef.4:12) é aquele que “trabalha para que o povo adore e cultue a Deus”, ao contrário de estar “se apresentando” ao povo com o seu culto. A diferença é grande. Um é artista. O outro é mais professor, um guia. E o resultado é muito diferente. Em uma reunião as pessoas assistem os artistas e até gostam.Em outra as pessoas adoram e cultuam a Deus. Cada uma delas participa. Não vão de mãos vazias. Elas levam algo para dar a Deus, como glória, gratidão, adoração, ofertas, louvores-elogios, votos, propósitos, etc. E é claro, desde o início, um coração compungido, contrito e confessador dos pecados.
Seria uma utopia desejar um culto assim? E caminhar nessa direção? Ou é melhor nos conformarmos com os “cultos de auditório”, os “cultos-shows” e deles procurar abstrair o melhor?
Afinal, quando você “vai à igreja”, é para cultuar a Deus ou assistir a mais um show?