quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

RELIGIÃO ou COMUNHÃO?

   VOCÊ  QUER  LÍDER  OU  CHEFE?
                   Pr.  Érico  Rodolpho  Bussinger
     Um tema interessante que perpassa toda a Bíblia é a natureza da relação que cada pessoa "quer" ter com Deus.  Sim, porque o tipo de relacionamento que Deus quer ter com o ser humano é bem claro na Bíblia, o mesmo que teve com Adão, com Abraão, Davi, Jesus com os  seus discípulos e que ao final, Deus terá com os seus, por toda a eternidade (Ap.21:3).  Mas para ficar bem claro, o tipo de relacionamento que Deus quer ter com os seus não é o relacionamento que a maioria dos crentes tem com Ele.  Não entendem ou não querem mesmo ter.
     Reportando-nos a nossos pais Adão e Eva, eles preferiram o "conhecimento" da verdade (religião), ao invés de uma dependência total de Deus. É evidente que essa escolha no Éden foi motivada por aquele mesmo que ainda hoje motiva os cristãos a quererem religião ao invés de comunhão. A diferença é total. Religião fala de certo e errado, de leis e mandamentos, de razão e preceitos.  Já a comunhão fala de submissão, ingenuidade infantil, dependência, amor, obediência  etc.  A obediência da religião não é a mesma coisa que a submissão da comunhão.
     Após o dilúvio os homens também escolheram o caminho da religião. Como a religião natural era cômoda (cada qual de acordo com a sua consciência), a conseqüência foi um desastre de afastamento de Deus.  Essa religião natural pós dilúvio pode ser entendida no livro de Jó.   Mas Deus escolheu separar um homem, Abraão, para desenvolver a partir dele (e de sua descendência) uma comunhão de relação íntima. Não havia preceitos de religião escritos. Abraão teria apenas que crer e andar com Deus.  Mas seus descendentes não o seguiram.  A marca bem clara dessa escolha se deu no Sinai, quando o povo de Israel, após ter visto muitas maravilhas  no andar com Deus no deserto, desprezou Sua comunhão para pedir uma lei escrita (Ex.20:18,19).  E isso os cristãos fazem até hoje!
     Em 1Sm.8 encontramos o povo de Israel na época dos juízes pedindo unanimemente um rei, ao invés de ter o Senhor como Rei e aqui na terra os juízes, líderes  e profetas que Ele levantasse. Isso foi extremamente desagradável ao Senhor, que a considerou (como realmente o era) uma rejeição clara de Israel para com o Senhor (v.7).  Samuel ainda argumentou a respeito das falhas e problemas que a instituição de um reino formal aqui na terra traria (despesas, erros, injustiças etc.). Mas Israel estava decidido:  queria um rei e um reino, mas não uma relação de comunhão e dependência com Deus.  Eles estavam cegos quanto às intenções de Deus, que nunca deixou nem deixaria de lhes levantar um líder.  Mas eles queriam um chefe, um rei formalmente nomeado aqui na terra.
     Ao se estudar o tema de administração, que é a Ciência de como fazer as pessoas trabalharem e as organizações funcionarem, sempre vem à tona a diferenciação entre CHEFE e LÍDER.  O chefe é nomeado formalmente e sua autoridade está no cargo e não em suas qualificações pessoais.  Já o líder conquista a admiração de seus liderados, independente de cargo.  A relação que Deus quer que tenhamos com os irmãos é muito mais para o sentido de liderança do que para o autoritarismo de uma chefia na igreja.  Mas a maioria dos cristãos prefere ter um "chefe" pastor ou outra autoridade "nomeada" na igreja, ao invés de um líder espontâneo.  Essa é a principal causa do autoritarismo na igreja, bem como da indiferença e falta de respeito (devidas aos líderes réprobos).
     Da mesma forma que os israelitas pediram um rei, os cristãos hoje pedem uma religião organizada com preceitos, estatutos, doutrinas, templos e patrimônio etc.  Poucos se sentem bem fazendo parte ou tendo comunhão com um grupo informal.  Devemos, porém, olhar para Jesus e seus discípulos, procurando entender o que Deus quer de nós também. O que Jesus fez é o que devemos fazer (Jo.20:21-23). Ele não construiu templos, não organizou "igrejas", reuniões, não escreveu estatutos etc.  Mas Jesus dedicou todo o tempo do seu ministério em desenvolver relações de comunhão com os discípulos, a fim de prepará-los para fazerem o mesmo.  Ele não valorizou a formalidade.  Ele andou longe de ser um "rei" aqui na terra.  Foi apenas um líder, que não obrigava ninguém a seguí-lo, bem como não punia ninguém por qualquer julgamento (Lc.9:56).  Infelizmente há muitos líderes que estão buscando posição, cargos, reinado e fama aqui na terra, bem ao contrário de Jesus.  E isso eles fazem porque também é o que o povo quer. Eles não querem líderes e comunhão.  O povo quer religião e chefes.  Tendo um chefe como "rei" sempre é mais  cômodo.  Isso é religião.
     Que você entenda essa diferenciação.  Pois no meu entendimento o Senhor voltará para levar os que estão em "comunhão" com Ele (que dão fruto) e não os que estão na sua "religião".  Muitos vão dizer: Senhor, senhor e não serão salvos.
      Afinal, como está a sua vida espiritual?  Acomodada na religião?  Ou dando frutos na comunhão?