terça-feira, 8 de dezembro de 2015

As coisas estão mudando em Israel e no mundo

Israel muda foco da diplomacia para países do Oriente
DANIELA KRESCH 
     Em passos quase paralelos, Israel suspenderá o relacionamento diplomático com a União Europeia (UE) e abrirá uma representação em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com quem nunca teve relações diplomáticas.
     As relações com os europeus, aliados históricos do Estado judaico, estão cortadas devido à decisão do bloco de retirar a inscrição "Fabricado em Israel" de produtos de empresas israelenses fabricados nos territórios ocupados da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Colinas de Golã.
     Já a missão israelense a Abu Dhabi não será uma embaixada, mas um escritório ligado à Agência Nacional para Energia Renovável, organização criada em 2009 com sede no emirado árabe.


     Mesmo assim, o passo é visto como revolucionário, já que os Emirados Árabes Unidos barram visitantes com passaportes israelenses. A única exceção é para atletas e empresários que viajam em raros eventos oficiais.
     A decisão foi comemorada pelo jornal "Jerusalem Post". Em editorial, a publicação afirma que o escritório em Abu Dhabi é um sinal da melhora das relações entre Israel e países do golfo Pérsico.
Um dos motivos para a aproximação seria a oposição de ambos ao acordo nuclear entre as potências e o Irã e o surgimento de novos inimigos em comum, como o Estado Islâmico.
     Não é segredo que Israel mantém relações secretas com esses países. No passado, o premiê Binyamin Netanyahu disse que há "crescentes interesses em comum com países árabes moderados", forma como se referiu às monarquias do Golfo.
    "A diplomacia israelense precisa achar caminhos diferentes para desenvolver o diálogo na região", disse Dore Gold, diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores.
     acreditam que a missão em Abu Dhabi e a medida contra a UE seriam parte da estratégia de mudar o foco da diplomacia de Israel para o Oriente.
     Os principais alvos seriam os países moderados do Oriente Médio, China, Índia e Rússia. "No jogo geopolítico do Oriente Médio, Netanyahu prova que ele é capaz de atuar com sabedoria", escreveu o comentarista Nadav Haetzni no jornal "Maariv".
     "O colapso de países e regimes e o aparecimento de monstros islâmicos radicais estremecem todos os paradigmas que regiam esta região. As linhas que separavam inimigos de amigos, aliados e rivais, se esmaeceram."
     Mas, para o professor Meir Litvak, da Universidade de Tel Aviv, dizer que a missão em Abu Dhabi será um divisor de águas é um exagero.
     "Há um limite até onde os Emirados Árabes Unidos podem ir na relação com Israel enquanto não houver um acordo com os palestinos".
     Para Litvak, é verdade que Israel também tenta se aproximar de China e Índia, mas cortar o relacionamento com o Ocidente seria gol contra.


     "Nós é que vamos pagar o preço. Índia, China, Rússia e países regionais nunca poderão substituir EUA e Europa como aliados de Israel, tanto financeira quanto diplomaticamente. Quem diz isso seriamente ou é estúpido ou apenas demagogo."