quinta-feira, 9 de junho de 2016

VINHO VELHO OU NOVO?

O VINHO VELHO É MELHOR
                       Pr. Érico Rodolpho Bussinger
     Tem sido corrente no meio evangélico a exaltação do vinho novo.  Em detrimento do vinho velho,  é claro.  Como esta é uma linguagem figurada, fazendo parte de uma parábola, há-se necessariamente  que interpretar o sentido do que o Mestre nos quer ensinar.


     A parábola é contada nos 3 evangelhos sinóticos (Mateus,Marcos e Lucas), com alguma conotação diferente em cada um deles. E esta parábola vem após a parábola das vestes, dando a entender o Senhor que era para reforçar a lição, a mesma em ambas.
     Na parábola da veste Jesus cita uma aparente obviedade: "ninguém tira parte de uma veste nova para remendar o rasgo de uma veste velha".  Por que? Em Lc.5:36 a lição mostra que vai-se "estragar" uma veste nova, fazendo um serviço de pouca serventia em uma veste já velha e supostamente poída, apodrecida.  Em Mt.9:16 não há referência a qual veste se refere, mas enfatiza o desperdício vão. Em Mc.2:21 a referência é à veste velha, igualmente enfatizando o trabalho perdido.

     A incoerência está no desperdício. E a lição é a de que o que é novo tem que ser tratado como tal. E o que é velho, se quiser ser aproveitado, deve sê-lo dentro de suas limitações. Por ex., ninguém vestirá uma veste velha para ir a uma festa.

     O assunto em tela, trazido pelos fariseus, se referia ao jejum. O Senhor não minimizou a importância do jejum. Mas apenas afirmou que há circunstâncias apropriadas em que se deve fazer jejuns: Em geral em situações difíceis e de necessidades. Mas fazer jejuns apenas como parte de uma prática religiosa, como que para aumentar os "créditos" de uma pessoa junto a Deus, seria inócuo, uma verdadeira perda. Isso porque não somos justificados perante Deus pelas obras que fazemos (Rm.3:20). O jejum fazia parte da "velha" prática religiosa e simplesmente fazê-lo não redundaria em salvação (o grande assunto do Evangelho).
     A parábola do vinho, aproveitando o ensejo da parábola das vestes, igualmente mostra quão inapropriado é querer guardar vinho novo em odres velhos, porque ainda se fermenta e gera gases que pressionam o recipiente. Os odres, segundo entendidos, eram os vasilhames feitos de couro ou peles costuradas de animais, para se guardar líquidos. Quando velhos, as peles ficavam ressecadas e portanto fragilizadas, não suportando aumento da pressão interna. Eles se rompem, como uma garrafa de refrigerante guardada no congelador.
     O entendimento mais usual no meio evangélico é o de que o vinho novo significa uma vida "nova" ou renovada. Muitas vezes a referência é à vida no espírito, em contraste com a secura da vida religiosa tradicional (de qualquer tradição cristã). Por vezes se dá ao vinho novo a idéia de uma mentalidade aberta e jovial, portanto mais tolerante e contextualizada à época atual. E evidentemente, se entende que isto é melhor!
     Mas o que o Senhor Jesus mostrou em Mt.9:17, em Mc.2:22 e Lc.5:37,38 foi que devemos ter cuidado com o vinho novo, para não perdê-lo.  Eu entendo que todo cuidado nessa direção visa aproveitar na igreja a mão de obra, o trabalho e a animação jovem. Nem sempre muito aperfeiçoada.(Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes...1Jo.2:14). Afinal, dizem os entendidos, o vinho novo não é muito bom. O vinho de maior valor ( por ser melhor) é o velho. Mas nas igrejas de hoje e em todo o meio evangélico, em geral, se tem o vinho novo como melhor. E em muitas igrejas de nossos dias é somente o vinho novo que se prega e que se canta (qual igreja evangélica de nossos dias não tem lá na frente bateria, guitarra e contra-baixo?). E inclusive para exercer a liderança, em muitas igrejas e comunidades evangélicas, sempre se prezou pelo "novo" (que em nossos dias já está ficando velho também).
     Mas em Lc.5:39 vem a lição mais importante, embora não como mandamento (analise e entenda), que é a opinião pessoal do Senhor Jesus: "o vinho velho é melhor". Ele é excelente!
     Isso significa que a experiência tem um valor inestimável na vida espiritual. O elemento jovem tem a força (da fermentação do vinho novo), mas o envelhecido tem a experiência e a sabedoria. Eu ouvi alguém dizer que o diabo não é perigoso pelo fato de ser mau, mas pelo fato de ser velho (sabe tudo). E também não é sem sentido que o Senhor estabeleceu como líderes na igreja  os "anciãos". O mesmo Ele fez nas cidades de Israel também.
     Em conclusão, é bom ter cuidado e tolerância para com o "vinho novo". A finalidade é para não perdê-lo. Mas nunca trocá-lo pelo vinho velho, que é melhor (veredas antigas...). O bom é não perder o "vinho novo", porque um dia ele também ficará velho e excelente também.
     Paz!