Carreira, Trabalho e o Chamado de Deus
Muitos irmãos têm me perguntado sobre o que a Bíblia fala a respeito de carreira. Vivemos num tempo em que o trabalho ocupa a maior parte das nossas horas e energia. Será que Deus se importa com isso? Será que a nossa profissão é apenas um meio de sustento, ou faz parte do Seu plano eterno para nós?
Desde o princípio, vemos que o trabalho é um mandato divino. Em Gênesis 2.15, o Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. Antes mesmo da queda, o trabalho existia. Ele não é uma maldição, mas uma vocação original. O problema é que, depois do pecado, o trabalho se tornou em fadiga e suor do rosto (Gn 3.19). Ainda assim, o propósito permanece: trabalhar para a glória de Deus e para o bem do próximo.
Nos dias de Jesus, os discípulos eram em sua maioria pescadores, um publicano e um zelote. Homens de diferentes carreiras, chamados para uma mesma missão. Isso nos ensina que Deus não despreza a nossa história profissional; Ele a redime e a coloca a serviço do Reino. Pedro voltou a pescar depois da ressurreição (Jo 21), mas Jesus o chamou para apascentar as ovelhas. A sua experiência como pescador foi transformada em ferramenta para o ministério pastoral. Da mesma forma, o médico, o advogado, o professor, o motorista, a dona de casa — todos podem e devem enxergar o seu trabalho como uma extensão do altar de Deus.
A palavra carreira no grego bíblico (dromos) aparece em Atos 20.24, quando Paulo diz: "Mas nada disso me importa, nem considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para testemunhar o evangelho da graça de Deus." A carreira do apóstolo não era um emprego, mas uma missão. Da mesma forma, a nossa carreira profissional deve estar subordinada à nossa carreira celestial. Somos peregrinos aqui, e a nossa verdadeira cidadania está nos céus (Fp 3.20).
Isso significa que devemos ser negligentes no trabalho? De modo nenhum. Paulo exorta os servos (e por extensão, os empregados) a fazerem tudo de boa vontade, como para o Senhor (Ef 6.7). A nossa excelência profissional é um testemunho poderoso. Num mercado cheio de corrupção, mentiras e concorrência desleal, o cristão é chamado a ser luz. Ser honesto, pontual, competente e bom colega é uma forma de pregar o evangelho sem palavras, quando necessário (1Pe 3.1-2).
Outro ponto crucial é a questão da justiça no trabalho. Vemos patrões que exploram e empregados que roubam. O cristão deve ser a exceção. "Vós, senhores, fazei o que é justo e equitativo, sabendo que também vós tendes um Senhor no céu" (Cl 4.1). Seja você chefe ou subordinado, lembre-se de que está servindo a Cristo. A sua conduta ética é o seu maior currículo.
Mas cuidado com o amor ao dinheiro e ao sucesso. Muitos cristãos têm sacrificado a família, a saúde e a comunhão com Deus no altar da carreira. Jesus foi claro: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33). A sua carreira não pode ser um ídolo. Ela deve ser um altar onde Deus é glorificado.
Se você está desempregado, sobrecarregado ou sem direção, clame ao Senhor. Ele é o dono do seu tempo e das suas oportunidades. Ele conhece as suas habilidades e preparou boas obras para você realizar (Ef 2.10). Confie nEle, trabalhe com fé e use o seu talento para abençoar vidas. A sua carreira é muito mais do que um emprego; ela é parte essencial da sua jornada com Cristo.
Que o Espírito Santo nos capacite a viver o evangelho em cada reunião, em cada projeto, em cada decisão profissional. Essa é a vontade de Deus para nós.
