quarta-feira, 20 de novembro de 2019

ORAÇÃO MODERNA DO FARISEU

ORAÇÃO  MODERNA  DO  FARISEU

Pr.  Érico  Rodolpho  Bussinger

     Quando Jesus falou a parábola dos dois homens que oravam, Ele focou a oração do fariseu (Lc.18:9-12),  que em resumo agradecia a Deus pelo que ele era, diferente dos outros homens, na verdade alguém especial. Isto porque ele seguia a religião, fazia jejum para Deus, andava na lei e dava o dízimo.

     O veredito de Jesus sobre esse homem religioso é duro: Esse não é o caminho para a justificação (Lc.18:14). Ou seja, é vão e é uma perda de tempo seguir a religião assim. O alerta fica para todos nós.

     Numa contextualização para nossos dias, a oração do fariseu  poderia ser uma oração assim?

Leia:

“     Esses dias eu tenho observado a minha vida e eu quase não consigo acreditar nela. Deus é tão bom comigo. O amor dEle por mim tem me constrangido. Eu tenho me questionado diariamente porque tanto amor, porque tanta generosidade, porque tanta entregar, porque tanto cuidado e porque comigo? Pai, eu olho ao redor e te vejo em tudo. Em cada detalhe da minha vida.

     Em cada benção e em cada dificuldade. Te vejo até em meio ao caos e me alivia saber que eu realmente não tenho controle de absolutamente nada. O controle é todo Teu. É inevitável chorar porque toda essa gratidão não cabe aqui dentro e inunda meu ser. Tudo o que eu sou ama tudo o que você é. É um amor tão grande o que sinto que quase me assusta, não se compara a nada. E se o meu amor por Você é assim o quão perfeito e inalcançável é o Teu amor por mim. Mesmo sem eu merecer.

     Eu sonho com o dia em que vou sentar do Seu lado, fisicamente, vou sentir o Seu calor, Teu cheiro e vou poder admirar Sua beleza e segurar na Tua mão. Vamos até quem sabe tomar um sorvete sentados em algum lugar. Numa nuvem seria bem adequado. Juntos vamos relembrar toda a minha trajetória ao Teu lado, desde o meu primeiro dia aqui na Terra. Vamos recordar todos os caminhos por onde Você me levou e me guiou, todas as portas que você abriu, todos os milagres que operou, todos os desertos, todas as minhas teimosias, todos os meus erros e acertos.

     Todas as vezes que você se orgulhou de mim me observando viver e tomando decisões e posicionamentos de acordo com o Teu coração. Todas as vezes que se entristeceu quando fiz algo que te ofendesse e que me senti extremamente culpada até lembrar que seu amor por mim é incondicional e imutável e que você sempre me daria uma nova chance e um novo incentivo. Você vai me contar sobre todas as batalhas que lutou por mim e eu nem imaginava.

     Vai me contar de tudo o que me livrou enquanto eu sofria pelo o que havia perdido. Vamos lembrar das vezes que Te fiz praticamente desenhar pra mim o que eu tinha tanta dificuldade de ver, entender e aceitar.E também das minhas tempestades em copos d’água quando não entendia seus caminhos e ficava confusa, insegura e com medo, mas no final sempre me surpreendia com o motivo de tudo e com o seu plano que era sempre melhor do que o meu.

     Vou te agradecer incansavelmente por tudo, por tanto. Vamos dar boas risadas, vou te dar o meu melhor abraço e descansar no seu colo recebendo seu carinho. Que sonho bom, paizinho! Eu não tenho pressa pra te encontrar dessa forma e sei que nem Você, pois ainda preciso de muito tempo por aqui para ver todas as promessas que Você me dez se cumprindo, pra te servir e contribuir com os Teus planos, pra ver todos os nossos sonhos se realizando, pra presenciar e celebrar toda a Sua graça e glória, mas saiba que sonho com esse nosso encontro.

     Pouco me importa se muitos vão dizer que não será assim. Eu gosto de imaginar esse reencontro exatamente desse jeito. Alguns dias tenho vontade de gritar pro mundo o quanto amo meu Pai, que também é mãe, que também é meu melhor amigo, meu irmão, meu noivo, meu parceiro. O grande amor da minha vida. E que sem Ele eu nada seria e nada teria. E que nem sei se isso faz algum sentido, mas que sinto saudade dEle.

     Eu sou tua e você é meu e tudo o que sou ama tudo o que você é    “

                     (Mensagem da atriz Bruna Marquezine em junho 2019 e divulgada em 20nov19)

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Compreendendo o Arminianismo em contraste com o Calvinismo

CALVINISMO  X  ARMINIANISMO

Pr.  Érico  Rodolpho  Bussinger

     Pretendendo ajudar o cristão comum a entender as duas correntes teológicas, busquei, no mais original possível, os pontos principais onde a divergência se acentua. Procure ler e entender!

     Os Cinco Artigos da Remonstrância foram proposições teológicas apresentadas em 1610 pelos seguidores de Jacó Armínio morto em 1609, as quais discordavam das interpretações do ensinamento de João Calvino então vigente na Igreja Reformada Holandesa. Os artigos foram divisórios, e aqueles que os apoiaram foram chamados de "Remonstrantes".

História

     Quarenta e um pregadores e dois líderes do colégio estadual de Leiden para a educação de pregadores reuniram-se em Haia em 14 Janeiro de 1610, para expor por escrito, suas opiniões sobre todos as doutrinas contestadas. O documento na forma de um protesto foi elaborado por Johannes Wtenbogaert e após algumas alterações, foi aprovado e assinado por todos, em Julho de 1610.

     Os Remonstrances não rejeitaram a confissão e o catecismo, mas não reconheceram como permanentes e imutáveis a Lei canônica e os cânones de . Eles atribuíram autoridade apenas à Palavra de Deus na Sagrada Escritura e foram avessos a todo o formalismo. Eles também afirmaram que as autoridades seculares têm o direito de interferir nas disputas teológicas para preservar a paz e evitar cismas na Igreja.

     Os Cinco Artigos da Remonstrância foram sujeitos à fiscalização do Sínodo Nacional realizado na cidade holandêsa de Dordrecht em 1618-1619. Ao mesmo tempo, Dordrecht era frequentemente chamada em inglês como Dort, o nome inglês comum ainda é Sínodo de Dort. As sentenças do Sínodo são conhecidas como os Cânones de Dort ou Cânones de Dordrecht. Estes cânones constituem o que é muitas vezes chamado de os Cinco Pontos do Calvinismo, comumente apresentados pelo acróstico "TULIP":

Eis o significado de TULIP, em inglês e em tradução comumente aceita em português:

  1. Total Depravity (Depravação total);
  2. Unconditional Election (Eleição incondicional);
  3. Limited Atonement (Expiação limitada);
  4. Irresistible Grace (Graça Irresistível);
  5. Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos).

Os Cinco Artigos

     Os Cinco artigos de Remonstrância contrastam com os Cinco Pontos do Calvinismo na maioria dos pontos. O Artigo I discorda que a eleição em Cristo seja incondicional. Em vez disso, neste artigo os remonstrantes afirmam que a eleição é condicional à fé em Cristo e que Deus elege para a salvação aqueles que Ele sabe de antemão que terão fé n'Ele. O Artigo II defende a expiação ilimitada, o conceito de que Cristo morreu por todos. Isso contrasta com a expiação limitada do calvinismo, que afirma que Cristo morreu apenas para aqueles que Deus escolheu serem salvos. O Artigo III afirma a depravação total do homem, que o homem não pode se salvar a si mesmo da Condenação Eterna. O Artigo IV repudia o conceito calvinista de graça irresistível, alegando que a humanidade tem livre-arbítrio para resistir à graça de Deus. O Artigo V, ao invés de rejeitar completamente a noção de perseverança dos santos, argumenta que pode ser condicional ao crente permanecer em Cristo. Os escritores explicitamente não tinham certeza sobre este ponto, e era necessário que um estudo mais aprofundado fosse feito. O texto dos artigos publicados estão em domínio público logo abaixo:

CALVINO   X    REMONSTRANTES

  • Depravação Total

     Também chamada de "depravação radical", "corrupção total" e "incapacidade total". Indica que toda criatura humana desde a queda de Adão, é caracterizada pelo pecado, que a corrompe e contamina, incluindo a mente. Por isso, afirma-se que ninguém é capaz de realizar o que é verdadeiramente bom aos olhos de Deus. Em contrapartida, o ser humano é escravo do pecado, por natureza hostil e rebelde para com Deus, espiritualmente cego para a verdade, incapaz de salvar a si mesmo ou até mesmo de se preparar para a salvação. Só a intervenção direta de Deus pode mudar esta situação.

Artigo I - Que Deus, por um eterno e imutável plano em Jesus Cristo, seu Filho, antes que fossem postos os fundamentos do mundo, determinou salvar, de entre a raça humana que tinha caído no pecado – em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo – aqueles que, pela graça do Santo Espírito, crerem neste seu Filho e que, pela mesma graça, perseverarem na mesma fé e obediência de fé até o fim; e, por outro lado, deixar sob o pecado e a ira os contumazes e descrentes, condenando-os como alheios a Cristo, segundo a palavra do Evangelho de Jo 3.36 e outras passagens da Escritura.

  • Eleição Incondicional

     Eleição significa "escolha". É a escolha feita por Deus desde toda a eternidade, daqueles a quem ele concedeu a graça da salvação. Esta escolha não se baseia em nenhum mérito moral ou individual, ou mesmo na fé das pessoas que Ele escolhe; mas sim em Sua decisão soberana, incondicional, irrevogável e insondável. Isso não significa que a mesma salvação final é incondicional, mas que a condição em que assenta (fé) é concedida também pela graça de Deus, como seu presente para aqueles a quem Ele escolheu incondicionalmente

Artigo II - Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens (Tt.2:11), de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes.

  • Expiação Limitada

     Também chamada de "expiação particular", "redenção particular" ou "redenção definida", significa a doutrina segundo a qual a obra redentora de Cristo foi apenas visando a salvação daqueles que têm sido alvo da graça da salvação. A eficácia salvífica do Cristo redentor, então, não é "universal" ou "potencialmente eficaz" para quem iria recebê-lo, mas especificamente designada para consolidar a salvação apenas daqueles a quem Deus Pai escolheu desde antes da fundação do mundo. Os calvinistas não acreditam que a expiação é limitada em seu valor ou poder (se Deus o Pai quisesse, teria salvo todos os seres humanos sem excepção), mas sim que a expiação é limitada na medida em que foi destinada para alguns e não para todos

Artigo III - Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus [Jo 15.5].

  • Graça Irresistível

     Também conhecida como "graça eficaz" e "vocação eficaz", esta doutrina ensina que a influência salvífica do Espírito Santo de Deus é irresistível, superando toda e qualquer resistência. Quando então, Deus soberanamente visa salvar alguém, o indivíduo não tem como resistir a essa graça da vida eterna com o próprio Deus.

* Artigo IV - Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito Santo.

  • Perseverança dos Santos

     Também conhecida como "preservação dos santos" ou "segurança eterna", este quinto ponto sugere que aqueles a quem Deus chamou para a salvação, e depois, à comunhão eterna com Ele (" santos ", segundo a Bíblia) não podem cair em desgraça e perder sua salvação. Mesmo que, em suas vidas, o pecado os leve a renunciar à sua profissão de fé, eles (como autênticos eleitos), mais cedo ou mais tarde, retornarão à comunhão com Deus. Essa doutrina é baseada no fato de que a salvação é obra de Deus do começo ao fim, que Deus é fiel às Suas promessas, e que nada nem ninguém pode impedir Seus propósitos soberanos. Este conceito é bem diferente do conceito usado em algumas igrejas evangélicas, de "uma vez salvos - salvos para sempre", apesar da apostasia, a falta de arrependimento ou a permanência no pecado, desde que eles tenham realmente aceito Cristo no passado. No ensino tradicional calvinista, se uma pessoa cai em apostasia ou não mostra mais sinais de arrependimento genuíno, isso é uma prova cabal de que essa pessoa nunca foi realmente salvo, e, em decorrência disso, que não faz parte do número dos eleitos

Artigo V - Que aqueles que são enxertados em Cristo por uma verdadeira fé, e que assim foram feitos participantes de seu vivificante Espírito, são abundantemente dotados de poder para lutar contra Satã, o pecado, o mundo e sua própria carne, e de ganhar a vitória; sempre – bem entendido – com o auxílio da graça do Espírito Santo, com a assistência de Jesus Cristo em todas as suas tentações, através de seu Espírito; o qual estende para eles suas mãos e (tão somente sob a condição de que eles estejam preparados para a luta, que peçam seu auxílio e não deixar de ajudar-se a si mesmos) os impele e sustenta, de modo que, por nenhum engano ou violência de Satã, sejam transviados ou tirados das mãos de Cristo [Jo 10.28]. Mas quanto à questão se eles não são capazes de, por preguiça e negligência, esquecer o início de sua vida em Cristo e de novamente abraçar o presente mundo, de modo a se afastarem da santa doutrina que uma vez lhes foi entregue, de perder a sua boa consciência e de negligenciar a graça – isto deve ser assunto de uma pesquisa mais acurada nas Santas Escrituras antes que possamos ensiná-lo com inteira segurança.

Estes artigos, assim definidos e ensinados, os Remonstrantes consideram acordo com a Palavra de Deus, tendendo a edificação, e, no que diz respeito a este argumento, suficiente para a salvação, de modo que não é necessário ou edificante acrescentar ou diminuir qualquer coisa.

sábado, 5 de outubro de 2019

Conceito de Wesley sobre os Metodistas

Para seu conhecimento: Palavras de Wesley sobre os metodistas

O Ofício Ministerial

John Wesley

'E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão'. (Hebreus 5:4)

1. Existem excessivamente poucos textos das Santas Escrituras que têm sido mais freqüentemente estimulados do que este contra os pregadores leigos que não são nem Sacerdotes, nem Diáconos, e ainda assim, tomaram para si pregarem. Muitos têm perguntado, "Como alguém se atreve 'tomar para si esta honra, a menos que ele seja chamado de Deus, como foi Arão?'". Alguns anos atrás, um clérigo, piedoso e sensato, publicou um sermão nestas palavras, em que ele se esforça para mostrar que não é suficiente ser interiormente chamado por Deus para pregar, como muitos se imaginam ser, a menos que eles sejam exteriormente chamados pelos homens enviados por Deus para este propósito, como Arão foi chamado por Deus, através de Moisés.

2. Mas existe uma falha grave neste argumento, tão freqüentemente quanto ele tem sido apresentado. 'Chamado por Deus, como foi Arão!'. Mas Arão não pregou, afinal: Ele não foi chamado para isto, tanto por Deus, quanto pelo homem. Arão foi chamado para ministrar nas coisas santas; -- para oferecer orações e sacrifícios; para executar o ofício de um Sacerdote. Mas ele nunca foi chamado para ser um Pregador.

3. Nos tempos antigos, o ofício de um Sacerdote e aquele de um Pregador eram conhecidos por serem inteiramente distintos. E, sendo assim, todos serão convencidos a traçarem o assunto imparcialmente desde o começo. De Adão a Noé, todos admitiram que o primogênito, em cada família, fosse, é claro, o sacerdote naquela família, em virtude de sua primogenitura. Mas isto não dava a ele o direito de ser um Pregador, ou (em uma linguagem bíblica), um Profeta. Este ofício não pouco freqüentemente pertenceu ao mais jovem ramo da família. Porque neste respeito, Deus sempre afirmou seu direito de enviar, através daquele a que Ele enviava.

4. Do tempo de Noé, para aquele de Moisés, a mesma observação pode ser feita. O mais velho da família era o Sacerdote, mas algum outro poderia ser o Profeta. Este, o ofício de Sacerdote, nós nos certificamos. Esaú herdou, em virtude de seu direito de primogenitura, até que ele profanamente o vendeu a Jacó por um prato de guisado de lentilhas. E isto foi o que ele nunca pôde recuperar, 'embora ele o buscasse cuidadosamente com lágrimas'. (Gênesis 25:30) 'E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom. Então disse Jacó: Vende-me hoje a tua primogenitura'.

5. De fato, no tempo de Moisés uma mudança considerável foi feita com respeito ao sacerdócio. Deus, então, indicou que, em vez do primogênito, em cada casa, toda uma tribo pudesse ser dedicada a ele; e que todos que, mais tarde, ministraram junto a ele, como sacerdotes, pudessem ser daquela tribo. (Números 3:6) 'Faze chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam'. (Números 3:12-13) 'E eu, eis que tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo o primogênito, que abre a madre, entre os filhos de Israel; e os levitas serão meus. Porque todo o primogênito é meu; desde o dia em que tenho ferido a todo o primogênito na terra do Egito, santifiquei para mim todo o primogênito em Israel, desde o homem até ao animal: serão meus; eu sou o Senhor'. Assim, Arão foi da tribo de Levi. E assim, igualmente foi Moisés. Mas ele não foi um Sacerdote, embora ele fosse o maior Profeta que viveu antes que Deus trouxesse seu Unigênito para o mundo. Neste meio tempo, não muito dos levitas foram Profetas. E, se algum foi, fora uma mera coisa acidental. Eles não eram tais como sendo daquela tribo. Muitos, se não a maioria dos Profetas (como nós somos informados através dos antigos escritores judeus), foram da tribo de Simeão. E alguns eram da tribo de Benjamim ou Judá, e provavelmente de outras tribos também.

6. Mas nós temos razão para acreditar que houve, em todas as épocas, duas espécies de Profetas. O ordinário, como Natanael, Isaias, Jeremias, e muitos outros, em quem o Espírito Santo veio de uma maneira extraordinária. Tal foi Amós, em particular, que disse de si mesmo: "Eu não fui Profeta, nem filho de Profeta. Mas fui um pastor: E o Senhor disse junto a mim, 'Vá, profetize junto ao meu povo Israel'".

Os ordinários eram aqueles que eram educados nas 'escolas de Profetas', um dos que estavam em Ramá, sobre o que Samuel presidiu. (I Samuel 19:18) 'Assim Davi fugiu e escapou, e foi a Samuel, em Ramá, e lhe participou tudo quanto Saul lhe fizera; e foram, ele e Samuel, e ficaram em Naiote (Nobe). Esses eram treinados para instruírem o povo, e eram os pregadores costumeiros em suas sinagogas. No Novo Testamento, eles são usualmente denominados escribas, ou 'os intérpretes da lei'.  Mas poucos, se alguns deles, eram Sacerdotes. Estes eram, por todo o tempo, uma ordem diferente.

7. Muitos homens cultos têm mostrado amplamente que o próprio nosso Senhor, e todos seus Apóstolos construíram a Igreja Cristã, tão proximamente quanto possível aos planos judaicos. Assim, o grande Sacerdote de nossa profissão enviou apóstolos e evangelistas para proclamarem as boas novas para todo o mundo; e, então, Pastores, Pregadores, e Professores, para construírem na fé as congregações que poderiam ser fundadas. Mas eu não acho que mesmo o ofício de um Evangelista fosse o mesmo que de um Pastor, freqüentemente chamado de Bispo. Ele presidia sobre o rebanho, e administrava os sacramentos: O primeiro o assistia, e pregava a Palavra, tanto em uma ou mais congregações. Eu não posso provar, de alguma parte do Novo Testamento, ou de algum autor dos três primeiros séculos, que o ofício de um evangelista deu a algum homem o direito de agir como um Pastor ou Bispo. Eu acredito que esses ofícios eram considerados tão completamente distintos um do outro, até os tempos de Constantino.

8. Na verdade, naquela má hora, quando Constantino, o Grande, chamou a si mesmo de Cristão, e despejou honrarias e prosperidade sobre os cristãos, o caso foi amplamente alterado. Logo se tornou comum para algum homem tomar a responsabilidade toda de uma congregação, com o objetivo de apoderar-se de todo o pagamento. Assim sendo, a mesma pessoa atuava como Sacerdote e Profeta; como Pastor e Evangelista. E isto gradualmente espalhou-se, mais e mais, através de toda a Igreja Cristã. Ainda assim, mesmo naquela época, embora a mesma pessoa usualmente cumprisse ambos esses ofícios, mesmo então, o ofício de um Evangelista ou Professor não significava aquele de um Pastor, a quem peculiarmente pertencia a administração dos sacramentos; nem em meio aos Presbiterianos, nem na Igreja da Inglaterra, nem mesmo em meio aos Católicos Romanos. Sabe-se que em todas as Igrejas Presbiterianas, as da Escócia, em particular, se licenciam homens para pregar antes que eles sejam ordenados, por todo aquele reino. E nunca se entendeu que esta nomeação para pregar deu a eles algum direito de administrar os sacramentos. Igualmente, em nossa própria Igreja, pessoas podem ser autorizadas a pregarem, sim, podem ser os Doutores da Divindade, (como foi o Dr. Alwood em Oxford, quando eu residi lá), que não foi ordenado, afinal, e, conseqüentemente, não teve direito de administrar a Ceia do Senhor. Sim, mesmo na própria Igreja de Roma, se um irmão leigo acredita que é chamado a ir para uma missão, como é chamado, ele é enviado, embora não seja sacerdote, nem diácono, para executar aquele ofício, e não o outro.  

9. Mas pode-se pensar que o caso agora, diante de nós, é diferente de todos esses? Indubitavelmente, em muitos aspectos ele é. Tal fenômeno tem agora aparecido, como não apareceu no mundo cristão, antes; pelo menos, não por muitas épocas. Dois jovens semearam a Palavra de Deus, não apenas nas igrejas, mas igualmente, literalmente 'pelo lado da rodovia'; e, de fato, em todos os lugares onde eles viram uma porta aberta, onde os pecadores tinham ouvidos para ouvirem. Eles foram membros da Igreja da Inglaterra, e não tinham o objetivo de se separarem dela. E eles aconselharam todos os que eram dela a permanecerem, embora eles se juntassem à Sociedade Metodista, porque isto não significava deixarem sua antiga congregação, mas apenas deixarem seus pecados. O clérigo iria para a igreja ainda. Os Presbiterianos, os Anabatistas [Membros de uma religião protestante dissidente que, na época da Reforma (séc. XVI), impunha a repetição do batismo a quem o recebera antes do uso da razão. Sustentavam que a Igreja era composta só dos santos (realmente convertidos) e insistiam na completa separação entre a Igreja e o Estado], Quakers [Membros de religião protestante, fundada no século XVII por Jorge Fox (1624-1691). Professada, sobretudo, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Os quakers crêem na direção do Espírito Santo, não admitem sacramentos, não prestam juramentos, nem mesmo perante a Justiça, não pegam em armas, nem admitem hierarquia eclesiástica], ainda reteriam suas próprias opiniões, e atenderiam às suas próprias congregações. Terem um desejo real de fugirem da ira vindoura foi a única condição requerida deles. Quem quer, portanto, 'que temesse a Deus e operasse retidão' estava qualificado para esta sociedade(metodista).

10. Não muito tempo depois, um jovem, Thomas Maxfield, ofereceu-se para servir, como um filho no Evangelho. E, então, outro, Thomas Richards, e um pouco depois, um terceiro, Thomas Westell. Que se observe em que condições nós recebemos estes, a saber, como Profetas, não como Sacerdotes. Nós os recebemos totalmente e tão somente para pregar; não para administrar os sacramentos. E esses que imaginam que esses ofícios estão inseparavelmente reunidos, são totalmente ignorantes da constituição de toda a Igreja Judaica, assim como Cristã. Nem as Igrejas Católicas, nem as Inglesas, nem as Presbiterianas, alguma vez os consideraram assim. Do contrário, jamais poderíamos ter aceitado o serviço tanto do Sr. Maxfield, Richards, ou Westell.  

11. Em 1744, todos os pregadores Metodistas tiveram sua primeira Conferência. Mas nenhum deles sonhou que o ser chamado para pregar dera a ele algum direito de administrar os sacramentos. E quando esta questão foi proposta, 'sob que luz podemos considerar a nós mesmos?', foi respondido, 'Como mensageiros extraordinários, erguidos para estimular os ordinários, ao zelo'. Com este objetivo, uma das nossas primeiras regras dada a cada Pregador foi, 'você deve fazer aquela parte da obra que nós designamos'. Mas que obra era esta? Nós, alguma vez, designamos você a administrar os sacramentos; a exercitar o oficio sacerdotal? Tal objetivo nunca entrou em nossa mente; ele esteve muito longe de nossos pensamentos: E, se algum Pregador deu tal passo, nós devemos olhar para isto, como uma quebra palpável desta regra; conseqüentemente, como uma abjuração de nossa conexão.

12. Porque, supondo (o que eu nego extremamente) que o receber você, como um Pregador, ao mesmo tempo, deu autoridade para administrar os sacramentos; ainda assim, ele não deu a você nenhuma outra autoridade do que fazer isto, ou alguma coisa mais, onde eu designei. Mas eu designei você a fazer isto? Em lugar nenhum, afinal. Portanto, por esta mesma regra, você está excluído de fazer isto. E, ao fazer isto, você renuncia ao primeiro princípio do Metodismo que foi, totalmente e tão somente, pregar o Evangelho.  

13. Muitos anos depois que nossa sociedade foi firmada, é que alguma tentativa deste tipo foi feita. Eu apreendo que a primeira foi em Norwich. Um de nossos Pregadores lá cedeu a importunidade de algumas poucas pessoas, e batizou seus filhos. Mas, tão logo isto ficou conhecido, ele foi informado que não deveria ser, a menos que ele designasse deixar nossa conexão. Ele prometeu não fazer mais isto; e eu suponho que manteve sua promessa.

14. Agora, por quanto tempo os Metodistas mantiveram este plano, eles não puderam se separar da Igreja [Estabelecida]. E isto é nossa glória peculiar. Isto é novo sobre a terra. Revolva todas as histórias da Igreja, desde os primeiros tempos, quando quer que tenha existido uma grande obra de Deus, em alguma cidade ou nação particular, os objetivos daquela obra foi dizer ao seu próximo: 'Acudam a vocês mesmos, porque nós somos mais santos que vocês!'. Tão logo eles se separavam, ou eles se retiravam para o deserto, ou construíam casas religiosas; ou, pelo menos, facções formadas, nas quais ninguém era admitido, a não ser quando aprovado no julgamento e prática deles. Mas, com os Metodistas, é completamente o contrário: Eles não são uma seita ou facção; eles não se separaram de sua comunidade religiosa, na qual eles pertenceram a princípio. Eles ainda eram membros da Igreja, como tal eles desejaram viver e morrer. E eu creio que uma razão porque Deus tem se agradado de manter minha vida tão longa, é confirmá-los no presente propósito deles, de não se separarem da Igreja.

15. Mas, não obstante isto, muitos entusiastas dizem: 'Não, mas você se separou da Igreja'. Outros são igualmente acalorados, porque eles dizem: 'Eu não. Eu irei declarar a coisa cruamente como ela é'.

Eu abraço todas as doutrinas da Igreja da Inglaterra. Eu amo a sua liturgia. Eu aprovo seu plano de disciplina, e apenas desejo que ele seja posto em execução. Eu sabidamente não mudo qualquer regra da Igreja, a menos nestas poucas instâncias, onde eu julgo; e, até onde eu julgo, existe uma absoluta necessidade.  

Por exemplo:

(1.) Como poucos clérigos abriram suas igrejas para mim, eu estou sob a necessidade de pregar fora.

(2.) Como eu não conheço algumas formas que irão se adequar a todas as ocasiões, eu estou freqüentemente debaixo da necessidade de pregar de improviso.

(3.) Com o objetivo de edificar o rebanho de Cristo, na fé e amor, eu coloco sob a necessidade de uni-los, e dividi-los em pequenos grupos, para que eles estimulem um ao outro, para o amor e boas obras.

(4.) Para que meus colaboradores e eu pudéssemos mais efetivamente assistirmos um ao outro, para salvar nossas próprias almas, e esses que nos ouvem, eu julguei necessário me encontrar com os Pregadores, ou, pelo menos, com a maior parte deles, uma vez por ano.

(5.) Nestas Conferências, nós fixamos os locais de todos os Pregadores para o ano seguinte.

Mas tudo isto não está separado da Igreja. Muito longe disto, quando quer que eu tenha oportunidade, eu atendo o serviço da Igreja, eu mesmo, e aconselho todas as nossas sociedades a assim fazerem.

16. Todavia, como a generalidade, mesmo das pessoas religiosas, não entende meus métodos de ação; aqueles que, por um lado, me ouvem professar que eu não irei me separar da Igreja, e, por outro, que eu me diferencio dela nessas instâncias, naturalmente, irão pensar que eu sou inconsistente comigo mesmo. Eles não podem deixar de pensar assim, a menos que eles observem meus dois princípios: Um, que eu não me atrevo a me separar da Igreja, o que eu acredito poderia ser um pecado fazê-lo; o outro, eu acredito, que seria um pecado não mudá-la nestes pontos acima mencionados. Eu digo que coloquem esses dois princípios juntos: Primeiro, eu não irei me separar da Igreja; ainda assim, em Segundo Lugar, nos casos de necessidade, eu irei modificá-la (ambos, eu tenho constantemente e abertamente declarado por mais de cinqüenta anos), e a inconsistência desaparecerá. Eu tenho sido verdadeiro à minha profissão desde 1730, até hoje.

17. 'Mas não é contrário à sua profissão permitir serviço em Dublin no horário da Igreja? Porque qual necessidade existe para isto? Ou que boa finalidade ela irá responder?'. Eu acredito que ela responde diversas finalidades boas, que não poderiam ser respondidas de alguma outra maneira:

A Primeira (estranho como pode soar) é impedir a separação da Igreja. Muitos de nossa sociedade estavam totalmente separados da Igreja; eles nunca a atenderam, afinal. Mas, agora, eles atendem devidamente a Igreja, todo primeiro domingo no mês.

'Mas não seria melhor que eles a atendessem toda semana?'. Sim; mas quem pode persuadi-los a isto? Eu não posso. Há vinte ou trinta anos, eu tenho me esforçado, mas em vão.

A Segunda é desacostumá-los de atender os encontros Dissidentes, que muitos deles atenderam constantemente, mas que agora abandonaram totalmente.  A Terceira é ouvir constantemente aquela doutrina profunda que é capaz de salvar suas almas.  

18. Eu espero que todos vocês que são vulgarmente denominados Metodistas possam considerar seriamente o que tem sido dito. E, particularmente, vocês a quem Ele tem autorizado chamar os pecadores ao arrependimento. Isto não significa, de modo algum, que vocês estão autorizados a batizarem, ou a administrarem a Ceia do Senhor. Vocês nunca sonharam com isto, por dez ou vinte anos, depois que vocês começaram a pregar. Vocês 'não buscarão', como Korah, Dathan, e Abiram, 'o sacerdócio também'.  Vocês sabem 'que nenhum homem deve tomar esta honra para si mesmo, a não ser aquele que é chamado de Deus, como foi Arão'. Oh! Mantenham-se dentro de seus próprios limites; estejam satisfeitos em pregarem o Evangelho; em 'fazerem o trabalho de Evangelistas'; em proclamarem a todo o mundo a bondade de Deus nosso Salvador; em declararem a todos que 'o reino do céu está à mão: Arrependam-se e creiam no Evangelho!'. Eu sinceramente aconselho vocês a que permaneçam no seu lugar; mantenham-se em seu próprio local. Vocês foram, cinqüenta anos atrás, aqueles que eram, então, Pregadores Metodistas; mensageiros extraordinários de Deus, não seguindo a própria vontade de vocês, mas tirando fora, não para suplantar, mas para 'estimularem' os mensageiros ordinários 'ao zelo'. Em nome de Deus, parem nisto! Através de sua pregação e exemplo, os estimulem ao amor e às boas obras. Vocês são um fenômeno novo na terra, -- um corpo de pessoas que, não sendo seita ou facção, é amigo de todas as facções, e se esforça para incentivar todos, na religião do coração, no conhecimento e amor de Deus e homem. Vocês mesmos foram, primeiro, chamados na Igreja Anglicana; e, embora vocês tenham e terão milhares de tentações para deixá-la, e trabalhem por conta própria, não se preocupem com elas. Sejam ainda homens da Igreja da Inglaterra; não joguem fora a glória peculiar que Deus tem colocado junto a vocês, ou frustrem o desígnio da Providência, a mesma finalidade para a qual Deus os tem levantado.

19. Eu acrescentaria algumas palavras a essas pessoas sérias que não estão ligadas aos Metodistas; muitas das quais são de nossa Igreja, a Igreja Anglicana. E por que vocês ficariam insatisfeitos conosco? Nós não causamos mal a vocês; nós não objetivamos ou desejamos afligir vocês em coisa alguma; nós abraçamos suas doutrinas; nós observamos suas regras, mais do que a maioria das pessoas no reino. Alguns de vocês são clérigos. E por que vocês, de todos os homens, estariam insatisfeitos conosco? Nós nem atacamos seu caráter, nem seus proventos; nós honramos vocês 'pelo amor de Deus!'. Se nós vemos algumas coisas que nós não aprovamos; nós não as publicamos; nós preferivelmente colocamos um manto sobre elas, e escondemos o que não podemos recomendar. Quando vocês nos tratam indelicadamente e injustamente, nós suportamos. 'Sendo ultrajados, nós abençoamos'; nós não retornamos o mal com o mal. Oh! Não permitam que sua mão esteja sobre nós!

20. Vocês que são ricos neste mundo, não nos considerem inimigos, porque nós dizemos a verdade a vocês, e, ela pode ser, de uma maneira mais completa e mais forte do que outras irão, ou se atreverão a ser. Vocês têm, portanto, necessidade de nós; inefável necessidade. Vocês não podem comprar tais amigos, a preço algum. Todo o seu ouro e prata não podem comprar tais. Façam uso de nós, enquanto vocês podem. Se for possível, nunca estejam sem esses que irão falar a verdade de seus corações. Do contrário, vocês envelhecerão nos seus pecados; vocês podem dizer para suas almas, 'Paz, Paz!', enquanto não existe paz! Vocês podem dormir, e sonhar que vocês estão no paraíso, enquanto vocês acordam no fogo eterno.

21. Mas quer vocês ouçam, ou quer vocês reprimam, nós, pela graça de Deus, seguiremos nosso caminho; sendo nós mesmos ainda membros da Igreja da Inglaterra, como nós fomos desde o início, mas recebendo todos que amam a Deus em cada Igreja como nosso irmão, e irmã, e mãe. E com o objetivo da união deles conosco, nós requeremos nenhuma unidade de opiniões, ou nos moldes de adoração, mas meramente que eles 'temam a Deus e operem retidão', como foi observado. Agora isto é extremamente uma coisa nova, não ouvida em qualquer outra comunidade cristã. Em que Igreja ou congregação além, através do mundo cristão, os membros podem ser admitidos nestes termos, sem quaisquer outras condições? Quem puder, que nos aponte uma. Eu não conheço uma, seja na Europa, Ásia, África ou América! Esta é a glória dos Metodistas e deles somente! Eles mesmos não são seita ou facção particular, mas recebem todos dessas facções que 'se esforçam para serem justos, e amarem a misericórdia e caminharem humildemente com seu Deus'.

Cork, 4 de Maio de 1789 [Sr. Wesley tinha 86 anos – Dois anos depois, em Março de 1791, ele faleceu]

            [Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

AJUDA PARA CRENTES NO EVANGELIZAR

COMO CONDUZIR ALGUÉM A CRISTO

                                         William W. Orr

VOCÊ  DESEJA UMA EMOÇÃO?...

  • Você já conduziu alguém a Cristo?
  • Você sabia que se trata de uma das maiores emoções desta vida?
  • Está você consciente do fato que ganhar almas é a vontade de Deus pra cada crente, e para você também?
  • Ora, sei que, em certo sentido, é um dever cristão procurar levar outras pessoas a Cristo. Mas creia-me que se trata de muito mais que um dever. É uma alegria e uma delícia. É uma aventura. É como observar Deus operar milagres. É uma canção em seu coração, molas em seus pés, sorriso em seu rosto.
  • Realmente há muitas outras profundas alegrias na salvação. Há o feliz alívio do peso de seu pecado. Há a comunhão diária com o Espírito Santo em sua vida. Há a contemplação de sua exaltada posição em Cristo. Isso para não falarmos da antecipação das milhões de maravilhas de sua próxima mansão celestial.
  • Mas a questão de ganhar almas parece ser a coroa de todas as outras. Medite só nisso... Você tem o privilegio de tomar a mão de um pobre pecador perdido e condenado, para colocar essa mão na poderosa mão de Cristo. Você está em uma posição estratégica de decisão entre os vivos e mortos. Você se torna um vaso de bênção nas mãos de Deus. Poderia haver algo mais emocionante? Ganhar almas pessoalmente adiciona doçura a tudo mais em sua vida cristã. É como a cobertura de um bolo. Proporciona uma satisfação pela qual você sempre ansiou. Você andará nas nuvens. Nunca os céus parecerão tão azuis. Nunca os passarinhos cantarão tão maviosamente.
  • Esta é a mensagem central da Bíblia, o coração do Evangelho. Essa é a razão da vinda de Cristo a este mundo e o propósito da vida cristã. Nenhum crente escapa a essa responsabilidade.
  • Talvez você pouco saiba sobre como ganhar almas para Cristo. Caso seja assim não fique desencorajado. Deus está pronto para lhe ensinar. O Espírito Santo veio para dirigí-lo. Nada, e eu quero dizer isso mesmo... Nada,  pode impedí-lo de ser um bem sucedido ganhador de almas, se... Se você propuser isto em seu coração. Deseja fazê-lo?

DEUS  ESTÁ  GRANDEMENTE  INTERESSADO...

  • Já considerou o tremendo interesse que Deus tem nessa questão de ganhar almas? Você sabia que alcançar homens, mulheres, meninas e meninos perdidos é o desejo supremo de Seu grande coração?
  • Alguns têm argumentado que Deus está muito ocupado com outras coisas. Por exemplo, com os deveres de controlar nosso vasto universo. Essas pessoas têm ensinado que Deus tem pouco ou nenhum tempo para preocupar-se com a propagação do Evangelho. Nada pode estar mais afastado da verdade do que isso.
  • Deus se regozija nas Suas obras. Todas as coisas que Ele criou são “muito boas”. Os céus declaram continuamente a Sua glória. O firmamento mostra diariamente as obras de Suas mãos. Mas todas essas coisas ou ainda, todas elas juntamente, não enriquecem o coração de Deus. Pois a preocupação de Deus é com as Suas criaturas – criaturas redimidas. Pois é com essas que Ele planeja viver eternamente.
  • Digo-o com cuidado, mas digo-o enfaticamente... O principal propósito de Deus é ganhar os perdidos. Por essa causa é que Ele deu Seu Filho Unigênito. Por essa causa é que o Espírito Santo veio ao mundo. Esse é o tema das escrituras. Essa é a mensagem do Evangelho.
  • Quão grande é Deus? Façamos uma pausa momentânea e consideremos. Sabemos que a nossa terra tem quarenta mil quilômetros de circunferência e quase treze mil quilômetros de diâmetro. É um amontoado bastante grande de matéria. Pesa cerca de seis setilhões de toneladas.
  • Entretanto, o longínquo sol que bilha sobre nós é muito, muito maior. Se ele fosse oco, seria grande bastante para conter alguns milhões de planetas do tamanho da nossa terra. Isso é alguma coisa, não é? Mas o sol é nada, comparativamente. Nosso sistema solar inteiro é apenas uma parte de uma galáxia estrelar, um sistema de estrelas. Esse sistema é inacreditavelmente vasto. Aqueles que conhecem o assunto dizem que existem (firme-se em seu assento) nada menos que cem bilhões de sóis, somente em nossa galáxia da Via Láctea.
  • Mas isso ainda não é tudo. Pois a nossa galáxia é apenas uma entre outros cem milhões de tais galáxias, algumas maiores e outros menores. E os astrônomos estão continuamente encontrando mais galáxias. É uma contagem ainda parcial.
  • E nosso Deus é o criador de tudo isso. Esse, pois, é o Deus que está vitalmente interessado em ganhar almas. Como posso saber que isso é verdade? Bem, vamos recuar um pouquinho.
  • No cumprimento do tempo determinado por Deus, Ele produziu e colocou nesta terra uma nova raça de seres, os seres humanos. A essas novas criaturas, Deus concedeu grande autoridade. Deviam ter domínio sobre todas as outras criaturas que Deus criara. E foi a essa criatura ainda que Deus proporcionou o inestimável dom de Sua comunhão (Gênesis 1e 2).
  • A história torna-se trágica neste ponto. Apesar de Deus ter dado grande e imensuráveis bênçãos aos nossos primeiros pais, eles corresponderam com baixa desobediência e rebelião. Pecaram gravemente contra Ele. E Deus, com um soluço em Seu coração, foi forçado a descarregar sobre eles o castigo sobre o qual lhes havia avisado (Genesis 3)
  • O homem tornou-se uma criatura decaída. Sua natureza se transformou em uma natureza má. Sua vida ficou repleta de pecado, e seu destino uma eternidade de tormentos.
  • Mas Deus continuou a amar os homens e, certo dia maravilhoso, enquanto todo o universo contemplava de respiração suspensa, Ele enviou Seu Filho Unigênito, Seu bem-amado, a este mundo, a fim de trazer a redenção e a reconciliação.
  • Parece impossível de acreditar, mas mesmo depois de uma vida de pureza e santidade absoluta, o mundo pôs as mãos no Filho de Deus e O crucificou numa vergonhosa cruz, mas Deus não poderia ser negado e Ele ressuscitou a Cristo dentre os mortos e proclamou o perdão por meio de Seu nome. Essa é a história relatada por Mateus, Marcos, Lucas e João, no Novo Testamento.
  • Mas há mais que isso.  Depois da ressurreição e ascensão de Cristo, Deus enviou a terceira Pessoa da abençoada Trindade, o Espírito Santo. E por que foi Ele enviado?
  • Trata-se realmente de boas novas. O ministério do Espírito de Deus é para dirigir a proclamação do Evangelho. Assim que uma pessoa é salva, o Espírito Santo passa a residir naquele coração purificado. Desse lugar Ele dirige a pessoa submissa, no importante privilégio de ganhar almas. Deixe-me dizê-lo claramente: A finalidade principal da vinda do Espírito Santo a este mundo é aplicar a obra de Cristo aos corações necessitados.
  • Você me entendeu? Este é o principal propósito de Deus. E, se Deus tem tanta compaixão pelas almas perdidas, nós também devemos ter.

QUALQUER  UM,   EM  QUALQUER  LUGAR...

  • Eis uma das maravilhas concernentes ao ganhar almas. QUALQUER UM pode fazê-lo. Tal é a graça de nosso Deus. A questão de ganhar almas não está reservada aos profissionais. Não é privilegio exclusivo do pregador, do evangelista, do missionário.  Certamente não é algo que favorece apenas alguma igreja ou grupo selecionado.
  • Não há indivíduo nascido de novo que não possa exercer esse direito. O rico não está limitado por sua riqueza. Ele pode ganhar almas. Não se nega esse direito ao pobre por causa da sua pobreza. Há vasto campo à sua disposição. O letrado pode testificar de Cristo e o indouto pode fazê-lo também.
  • As crianças podem conduzir outras crianças ao Salvador. Os jovens encontram maravilhosas e ilimitadas oportunidades entre outros jovens. As meninas podem ganhar outras meninas. Os moços podem procurar outros moços. Os mais idosos têm oportunidades com aqueles com quem se encontram. E Deus honra o trabalho de qualquer um. Como tudo é perfeitamente maravilhoso!
  • Além disso, não se esqueça: o campo para testificar é EM QUALQUER LUGAR. Não somente nas igrejas. Não somente nas reuniões evangelísticas, ou na Escola Dominical. Ora, o campo para testificar e ganhar almas é tão vasto quanto o mundo.
  • O homem de negócios pode falar aos outros no escritório, na loja, na fabrica. Homens (e mulheres) também podem ser salvos em suas roupas de trabalho, enquanto o ruído das máquinas ruge com toda força. O vendedor pode dizer uma palavra a respeito de Cristo, enquanto em seu percurso. O padeiro enquanto vende seu pão. O pescador, enquanto puxa seu peixe.
  • A própria dona de casa não se priva desse privilégio. Na maioria dos casos há uma sucessão de candidatos à salvação batendo à  porta dela. E, um após o outro, ela pode influenciá-los para Cristo.
  • O estudante pode falar a favor de Cristo na sala de aula, no campo de atletismo, no fórum. O trabalhador pode aproveitar seu tempo enquanto anda de ônibus ou outra condução. O trem é um campo fértil para o evangelismo. O avião oferece horas de conversa séria. O navio é lugar onde se pode dar muitos testemunhos.
  • Como nossas oportunidades são maravilhosas. A nenhum crente é negado esse privilégio. Nosso campo é o mundo. Nosso “produto” é garantido. Nossos “fregueses”, incontáveis.

A  QUALQUER  HORA  E  DE  VÁRIAS  MANEIRAS...

  • Testemunhar sobre Cristo é tarefa de todo  crente em qualquer tempo. Enquanto você estiver fazendo outras coisas, como edificar arranha-céus ou consertar sapatos para pagar as despesas, sua tarefa principal na vida é fazer sua vida útil para Cristo.
  • Todos necessitam de Cristo. “Por que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). Isso inclui aqueles com quem você tem contato diariamente. Por conseguinte, devemos estar sempre alertas, desde o momento em que nos levantamos pela manhã, até nos deitarmos à noite... Quem sabe quando o Espírito Santo vai orientá-lo para “testemunhar”?
  • Muitos crentes, infelizmente, deixam sua obra de ganhar almas para certos períodos de tempo especiais. Por exemplo, na igreja ou aos domingos pela manhã. Ou então em trabalhos evangelísticos. Não me compreenda mal. É bom fazer assim, mas o tempo de Deus é em qualquer tempo. Na esquina da rua, restaurante, no campo de futebol, debaixo do secador no salão de beleza. Seu primeiro “fruto” pode encontrar Cristo às dez da manhã, o segundo à meia-noite, outros no domingo, alguns na quarta-feira à tarde. Moral da história... Esteja sempre pronto.
  • As maneiras de testemunhar são inúmeras. Há a maneira devocional, como é claro. Talvez o Evangelho seja pregado de um púlpito, com o apelo no término do sermão e a seguir uma instrução inicial àqueles que respondem ao convite. Essa maneira até agora tem sido honrada por Deus.
  • Mas, há outras maneiras, igualmente eficazes. Por exemplo, estamos nos dias da rádio, da televisão e da INTERNET. Tem parecido bem a Deus abençoar de forma marcante esses novos meios. Também você pode aproveitar esses métodos.
  • Há igualmente a tão útil página impressa. O senhor seja louvado pela imprensa. Rapidamente produzem milhares de Bíblias, testamentos, folhetos, livros. E as histórias de conversões por intermédio da página impressa formam legiões. Participe desse método. Os folhetos também! Apenas um pedaço de papel contendo uma breve mensagem do evangelho. Entregue-os pessoalmente, coloque-os em suas cartas, deixe-os nos lugares onde o povo se reúne, jogue dentro dos automóveis. Podemos dizer com segurança que o número de pessoas no céu será aumentado por causa do ministério dos folhetos.
  • E não há tempo para nos referirmos a todos os meios. Cartas, telefone, redes sociais,  telegramas, propagandas, distintivos, faixas... Deus abençoa  todos esses métodos.

VOCÊ  ESTÁ  PRONTO  PARA  COMEÇAR?

  • Aqui temos um “princípio” importante. Ganhar almas é somente para aqueles que são verdadeiros crentes. Ninguém pode ganhar outros para Cristo se ainda não conhece a alegria incomparável e a liberdade da salvação.
  • Deus reservou esse alto e santo trabalho àqueles que por Ele já foram perdoados e purificados. Ele poderia ter dado essa santa tarefa a outros, como por exemplo, aos anjos. Mas não; somente aqueles que foram comprados por sangue e purificados por sangue são os escolhidos para levar as Boas Novas.
  • Há indivíduos que se presumem salvos. Supõem que por estarem vivendo em um país evangélico ou porque seus pais são salvos, que isso também é suficiente para eles. Outros argumentam que nunca fizeram alguma coisa verdadeiramente perversa, como o assassinato ou tráfico de drogas. Outros apontam para o fato de que oram regularmente ou lêem a Bíblia. E assim, para os tais, é um choque quando mostramos que a salvação não está essencialmente ligada a qualquer dessas coisas.
  • Nossa redenção é totalmente uma operação de Deus a favor do homem, e nunca uma operação do homem para com Deus. Se Deus ainda não transformou completamente seu coração e sua vida, você simplesmente não está salvo. Pois a salvação é uma vida nova, e não uma nova página da mesma vida. A salvação é uma dádiva  e não um plano de pagamento a prestações. É a revelação da graça de Deus e não a exibição da religião do homem.
  • Aqueles que têm sido verdadeiramente salvos certamente terão segurança da sua salvação. Há certos sinais inconfundíveis. Por exemplo, o alegre alívio do peso do pecado. É como tirar tremendo peso das costas de alguém. Ao lado disso surge um novo cântico no coração. Tudo parece novo. Nova vida, novo poder, novos alvos, novos amigos, novos inimigos.
  • Alguém que sai à procura do perdido, sem ter salvação para si mesmo, está agindo como se estivesse colocando a carroça adiante do boi. Essa elevada tarefa destina-se exclusivamente para os nascidos de novo.
  • Aqueles que querem ser ganhadores de almas deveriam sondar fervorosamente o estado espiritual de seus próprios corações. Há certeza absoluta da sua regeneração? Se há alguma dúvida você não deve prosseguir. Sua tarefa agora é ajoelhar-se imediatamente e conhecer pessoalmente a Cristo.
  • Não estou perguntando se você está satisfeito com seu estado espiritual. A maioria de nós nos sentimos continuamente insatisfeitos. E é assim que deve ser. O plano de Deus para nós é que avancemos sempre.
  • Aqui temos o passo vital seguinte...
  • Para que alguém seja bem sucedido como ganhador de almas, resta outra questão. Deus pode usar a sua vida muito melhor se você se render a Ele. Isto é passar a ter Jesus como o Senhor da sua vida. E você lhe obedecer.
  • Como você já deve ter compreendido, quando o Senhor o salvou Ele o fez à base de graça completa. Quero dizer que Deus o fez sem exigir qualquer coisa em troca. Ele não disse...”Salvar-te-ei se te tornares um ganhador de almas”.  Não. Deus salvou sua vida tomando por base a morte de Seu querido Filho. Entretanto, certamente nos é ensinado nas páginas das Escrituras que a alegria, a paz, a satisfação permanente e o serviço frutífero são bênçãos oferecidas a todos os que se rendem a Ele (Salmos 37:5; Provérbios 3:5-6; Romanos 12:1)
  • A entrega da sua via a Deus é um passo muito sábio. Considere quão pouca sabedoria temos e compare-a com o que Deus sabe. Relembre de quão fraco somos. Compare isso com o poder de Deus. Seja sincero agora comigo. Quem é mais capaz de dirigir nossas vidas... Nós mesmos ou Deus?
  • É passo muito perigoso entregar a vida a qualquer um que não seja Deus. Mas não restam dúvidas sobre a habilidade de Deus, nem qualquer dúvida sobe Seu amor. Ele já demonstrou completamente e para sempre a profundidade do Seu amor.
  • E assim Deus, que é infinitamente sábio, sugere que entreguemos a direção de nossas vidas a Ele. Esse é um passo definido de nossa parte. Tão definido como a aceitação de Cristo como nosso Salvador.  É passar a tê-lo como Senhor, aquele que manda em você.  E como é que se faz isso?
  • Não há mistério sobre a questão. Abra sua Bíblia em Romanos 12:1-2. Leia esse trecho fervorosamente, com oração. Então fale com o Senhor sobre isso. Diga-Lhe que quer ser como o barro nas mãos do Oleiro (Jeremias 18:6; Romanos 9:20-23). Entregue-se sinceramente em Suas mãos. Seja sincero ao fazê-lo.
  • E então, dia a dia, relembre ao Senhor (e a você também) que você pertence a Ele. Resolva ficar sempre submisso a Ele. Tenha cuidado para não dar qualquer passo sem Sua sábia direção. Ande diariamente com sua mão na d’Ele.
  • Dessa forma Deus será capaz de pôr em obras o Seu plano relativo à sua vida. Especialmente no que se refere à porção daquele grande plano que fala da salvação dos pecadores (Marcos 16:15; 2 Pedro 3:9); Sua voz falará  continuamente a você. Sua mão estará sempre a lhe guiar. A entrega sincera do coração de alguém que se rende a Jesus como Senhor é o “começo de novos dias”. As provações se farão presentes, mas também haverá o poder de Deus para lhe sustentar. E as vitórias espirituais estão na ordem do dia.

SOBRE  O  “DIRETOR”

  • Tenho uma notícia muito alviçareira para os ganhadores de almas. Deus colocou o mais capaz dos Diretores sobre todo esse ministério. Esse diretor é de infinita habilidade e supremamente gentil. Não é outro senão o abençoador Espírito Santo de Deus (João 7:37-39). Na mesma noite de sua apreensão nosso Senhor falou sobre a vinda do Espírito: "E eu rogarei ao pai e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da Verdade" (João 14:16-17). “Quando Ele vier convencerá o mundo do pecado, da injustiça e do juízo” (João 16:8).
  • No dia de Pentecostes, conforme estava determinado, desceu o Espírito de Deus (Atos 2:1-4).  Aquele dia marcante viu uma demonstração do que viera fazer o Espírito Santo. A multidão foi sobrenaturalmente reunida, os crentes receberam poder de modo sobrenatural, e a pregação da mensagem por um homem que recebeu dons de Deus resultou em frutos para a eternidade (Atos 2:41).
  • Nenhum crente novamente nascido necessita estar pedindo pelo Espírito. O Espírito é uma gloriosa dádiva tanto do Pai como do Filho. Quando alguém é salvo, o Espírito Santo imediatamente estabelece residência naquele coração há pouco purificado, para ali habitar (1 Coríntios 6:19-20).
  • Desse ponto vantajoso, o Espírito dirige o crente em serviço que será útil tanto para o tempo como para a eternidade. Ele guia na preparação e no testemunho.  Ele torna a Bíblia tanto clara como preciosa. Ele cria profundo amor pelas almas dos perdidos.
  • Simplesmente não pode haver testemunho aceitável sem Ele. Nenhum pecador é convencido de seu pecado sem o ministério do Espírito. Nenhum ganhador de almas pode levar um pecador convencido aos pés do Cristo se não contar com a direção do Espírito. Ele é tudo quanto o ganhador de almas precisa.
  • Por mais triste que seja, há, entretanto, muitos crentes ocupados com outras coisas e por isso não dão ouvidos à voz do Espírito. Ora, Ele não força Sua vontade aos crentes  carnais. Esses perdem a oportunidade incomparável de fazer uma obra que dura para toda eternidade.
  • Fique certo, contudo, que o Espírito sempre falará bem alto para aquele que está pronto para ouvir. O Espírito não deseja que os crentes destaquem a sua pessoa. Pelo contrário, o seu ministério tem por finalidade exaltar a pessoa de Cristo (João 16:13-15). Consequentemente, o ganhador de almas que está cheio do Espírito Santo, fala constantemente sobre Cristo. Essa é uma marca que não engana.
  • O livro de Atos, no novo testamento é, particularmente, o padrão de comportamento e a norma para o ministério do crente nesta nossa dispensação. Em suas páginas encontram-se exemplos após exemplos da direção e poder que os primeiros crentes tinham por meio do Espírito Santo. Já mencionamos o dia de Pentecostes. Nessa ocasião efetuou-se uma transformação que abalou o mundo e mudou o curso da História (Atos 2).
  • O Capítulo seguinte fala de dois discípulos que foram guiados a um aleijado necessitado, que foi gloriosamente salvo e curado. Mais, o resultado maior foi uma oportunidade de testificar do Cristo ressurreto perante todo o tribunal dos judeus. Isso novamente debaixo do poder do Espírito Santo (Atos 3 e 4).
  • Solene advertência é feita concernente à santidade do Espírito, no capítulo 5. Ali o terrível pecado de tentar mentir ao Espírito foi destacado pela morte súbita de dois crentes. Aqui, novamente, fica demonstrado que o Espírito Santo é Deus.
  • Os homens que deveriam liderar a Igreja Primitiva em serviço aceitável são escolhidos no capítulo seis. A característica mais importante que esses homens deveriam possuir era a de se acharem cheios do Espírito Santo (Atos 6:3-5).
  • O poder do Espírito na pregação é demonstrado na vida e na morte do primeiro mártir crente, o Estêvão. Tão grande era a sabedoria que o Espírito lhe proporcionara que ninguém lhe podia resistir (Atos 6:8-15).
  • O Capítulo 8 de Atos dá a continuação da maravilhosa história. O Espírito está sempre guiando, sempre concedendo sua energia, sempre testificando sobre Cristo. Aqui Ele usa uma perseguição que rebentara contra os cristãos, provoca reavivamento nas cidades circunvizinhas, como Samaria, envia um missionário a uma longa, mas proveitosa viagem e implanta o evangelho em um reino longínquo.
  • No capítulo seguinte o Espírito mostra as terras distantes necessitadas do Evangelho. Chamando gloriosamente um ferrenho inimigo do Evangelho, Cristo transformou o Saulo de Tarso no grande Apóstolo aos gentios. Este é imediatamente “cheio do Espírito” para o serviço (9:17) e todas as igrejas compartilharam dessa bênção (9:31).
  • E assim por diante se move o Espírito: algumas vezes acompanhado de terremotos e outras vezes com suave e doce voz. Nunca, entretanto, deixa qualquer dúvida sobre Quem é um grande Diretor da propagação do Evangelho. Os séculos também não vieram a causar qualquer mudança. Isso é o que Ele continua sendo até hoje. Louvemos a Deus.

TODOS  TÊM  UMA  NECESSIDADE...

  • Aqui temos grande incentivo para o ganhador de almas: Todas as pessoas no mundo têm uma necessidade tão urgente que somente o Senhor Jesus pode satisfazer.
  • A cor da pele não faz diferença. Nenhuma raça é excetuada dessa necessidade que todos têm de Cristo. O judeu precisa d'Ele tanto quanto o gentio; as raças negras tanto quanto as brancas; as multidões do oriente estão perdidas sem o evangelho. Cristo morreu pelo mundo e o mundo está perdido sem Ele.
  • Essa necessidade transcende até as barreiras religiosas. Neste mundo existem muitas religiões. O cristianismo não é uma religião. A essência de todas as religiões é o serviço humano aos deuses, por parte de seus seguidores.  Mas a essência da salvação por intermédio de Cristo é o que Deus livremente  oferece para fazer por toda a humanidade. Cristo não entra em competição com as religiões. Transcende-as completamente. A religião condena totalmente, Cristo salva completamente (Atos 4:12; João 14:6). Gente boa” também precisa de salvação. Nunca a vida caridosa ou as boas obras podem tornar-se um substituto da graça de Deus. Durante séculos homens e mulheres têm tentado aproximar-se de Deus à base de seu mérito ou valor pessoal. Alguns têm muito a oferecer e outros pouco. Mas viver bem, ser bom ou fazer boas obras, ainda quando em grande quantidade, nunca trazem vida. Deus simplesmente não salva a ninguém nessa base (Efésios 2:8-9; Tito 3:5).
  • Também ninguém é demasiadamente ruim para ser salvo. Cristo veio justamente para os maus (I Timóteo 1:15). Esta é uma boa notícia. Onde abundou o pecado, superabundou a graça (Romanos 5:20). Geralmente achamos difíceis estas afirmações. A carne se revolta contra a graça. Preguiçosamente caímos na mentira de que temos que “fazer alguma coisa” para merecer a salvação. Mas a verdade é que a justiça de Deus é pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem (Romanos 3:22).
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